Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Governo terá diálogo comigo', diz senador

Parlamentar do PMDB tenta consolidar candidatura à presidência do Senado, que conta com apoio do PSDB e do DEM

Entrevista com

Luiz Henrique, senador (PMDB-SC)

ISADORA PERON E RICARDO BRITO, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2015 | 02h02

BRASÍLIA - O senador Luiz Henrique (PMDB-SC) passou o dia tentando consolidar sua candidatura à presidência do Senado. Pela manhã, avisou o atual presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), que sua decisão era "irreversível", mesmo que os dois tenham de se enfrentar no domingo. Em entrevista ao Estado, o catarinense fez questão de ressaltar que não se considera um candidato de oposição, apesar de ter apoio de PSDB e DEM.

Questionado se era contra a reeleição de Renan porque o peemedebista havia sido citado na Operação Lava Jato, que investiga o esquema de corrupção na Petrobrás, desconversou. Se eleito, Luiz Henrique diz que tentará aprovar no Congresso um projeto de reforma política para evitar que escândalos como esse se repitam. "Nós temos que mudar o sistema de financiamento das campanhas, que é a origem das Lava Jatos, dos mensalões e dos trensalões."

Por que Renan Calheiros não deve tentar a reeleição?

Longe de mim achar que ele não deve. Eu apenas fiz um apelo para que ele seja o condutor desse consenso em torno de um quase consenso que vai se produzindo no Senado na direção da minha candidatura.

O fato de Renan ter sido citado na Operação Lava contribuiu para o sr. decidir se candidatar?

Eu acho que mais do que isso, o motivo é esse novo protagonismo que a sociedade está exigindo do Senado. Até para que não haja novas Lava Jatos, nós temos que fazer a reforma política. Nós temos que mudar o sistema de financiamento das campanhas, que é a origem das Lava Jatos, dos mensalões e dos trensalões.

Há décadas a reforma política é colocada como prioridade, mas nunca sai do papel. O que o sr. pretende fazer a respeito?

A ideia é levantar todos os projetos em tramitação e procurar peneirar isso tudo para convergir em 10, 20 pontos que possam ser votados com a rapidez que a sociedade exige.

O sr. é a favor do financiamento público de campanha?

Eu defendo o financiamento misto, parte público e parte privado, só proibindo o financiamento por pessoas jurídicas. O financiamento privado deveria ser limitado a doações de pessoas físicas até três salários mínimos, por exemplo. Mas é uma posição minha. Vou ouvir os partidos para que se chegue a um consenso.

A candidatura do sr. recebeu apoio do PSDB e do DEM. O sr. é um candidato de oposição?

A nossa candidatura é pluripartidária e atende a um sentimento de mudança. Para sintetizar, os senadores veem na minha candidatura a possibilidade real de a gente tocar para frente as reformas necessárias.

Então o governo vai poder contar com o sr.?

O governo terá absoluto diálogo comigo. Se pudermos ter uma agenda em comum, melhor. Se isso acontecer, aprovaremos projetos mais rapidamente. Temos que aprovar a reforma política até o fim de setembro (para ter validade nas eleições municipais de 2016), então temos que correr.

A presidente Dilma Rousseff tem sido bastante criticada pela oposição neste início do segundo mandato. Qual a sua avaliação sobre o atual governo?

Eu sou candidato a presidente do Senado, tenho que me comportar como tal. O papel de questionamento vai caber aos líderes da oposição. A minha posição vai ser sempre de catalisador, de exaltação do papel de oposição, sem desmerecer as necessidades que têm o governo.

O PMDB sai dividido dessa eleição no Senado?

Essa história acaba domingo.

O sr. não teme perder espaço dentro do PMDB por disputar contra o nome que deve ser indicado pela bancada?

Não temo ser escanteado porque tenho plena convicção de que vou ganhar. Eu deixei amadurecer a ideia. Das 16 vezes em que fui candidato, em eleições populares, só perdi uma.


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