Nilton Fukuda/Estadão
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'Governo terá de conviver com a independência do Congresso', diz Kátia Abreu

Titular da Agricultura afirma que o fato de o PMDB não querer sersubserviente é 'saudável' e é natural que PT reaja

Entrevista com

Kátia Abreu

JOÃO DOMINGOS, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2015 | 02h02

Escolha pessoal da presidente Dilma Rousseff para o Ministério da Agricultura, a senadora Kátia Abreu entrou na cota do PMDB para a Esplanada contra a vontade do partido. Mas, após uma conversa com o vice-presidente Michel Temer, obteve apoio de nomes importantes da sigla, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

Para ela, a vitória de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) na disputa à presidência da Câmara representa uma maior chance de independência do Legislativo. E, afirma, o governo terá de aprender a conviver com isso.

O PMDB diz que a escolha da senhora para a Agricultura foi exclusiva da presidente Dilma e não do partido. É isso mesmo?

A presidente foi mais humilde. Ela sugeriu meu nome ao PMDB e perguntou se eles me apoiariam. Eles apoiaram. Tive o apoio do vice-presidente Michel Temer, do Renan Calheiros (presidente do Senado), do Romero Jucá (senador e relator do Orçamento da União), de todos. Não teve impasse.

Parte do PMDB defende a saída de Temer da presidência da sigla. Entendem que ele, como vice, tem assumido posições contrárias à legenda.

Não vejo necessidade de ele se afastar. Ele tem um bom diálogo com a presidente. Não sei se tirar o Michel Temer agora seria bom para o partido.

A eleição de Eduardo Cunha para a presidência da Câmara não é um entrave para a relação do PMDB com o governo?

Não. As entrevistas dele mostram um político sensato. Ele tem responsabilidade. É do PMDB e eu o apoiei.

Ao pregar a independência do Parlamento, o PMDB não confronta o governo?

Não querer ser subserviente é saudável. O momento é importante para o Congresso. E também é natural que o governo reaja. Quem é que quer perder poder? Mas o governo vai ter de aprender a conviver com essa independência do Congresso e com um diálogo mais natural.

PT e PMDB têm condições de manter a aliança por mais tempo?

O PT é um partido que tem muitos grupos, o que leva a divergências internas. E isso faz com que acertar com o segundo partido se torne quase impossível. O PMDB tem reclamações do PT, e com razão, porque nos Estados tem tido pouca compreensão do PT. E o PMDB tem apoiado o PT, como apoiou o ex-presidente Lula e apoia a presidente Dilma Rousseff com muita lealdade.

O PMDB tem razão ao reclamar que seus ministérios são fracos?

Gostaria de mudar a pergunta. São ministérios com menos visibilidade. E, para os políticos, é óbvio que os ministérios mais visíveis são mais interessantes. Por exemplo: Cidades. Não há nada com maior visibilidade. Saúde, Educação, Integração têm presença política, estão no meio da população. E não estão com o PMDB.

E Agricultura?

É o único (ministério que tem visibilidade e está com o PMDB).

Como vê o fato de Dilma ter um ministério com dez partidos, mas só se aconselhar com o PT?

É lenda. Ela ouve demais o Michel Temer, o Renan Calheiros, o José Sarney, todos do PMDB. Sempre que precisei dialogar com ela, ela não negou. Ela conversa com muita gente, com os empresários. É que isso não é noticiado.

Acha que ela acertou ao chamar Joaquim Levy para a Fazenda e optar pelo ajuste fiscal?

Acho 100% de acerto. O mundo inteiro faz ajuste. Em Goiás, o Marconi Perillo (PSDB) reduziu as secretarias de vinte e tantas para dez. A vida não está fácil para ninguém.

Nesses 40 dias de governo, identificou algum desperdício?

No ano passado a Agricultura gastou 49 mil passagens aéreas. E não acho que estavam viajando para passear. O que houve foi falta de planejamento. Não é possível um tanto de passagens destas. O ministério tem que gastar muito é com investimentos, pesquisas, tecnologia. Gastar com as coisas certas.

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