Governo tenta virar a página, mas PT ainda critica Levy

Grupo ligado a Tarso Genro afirma que Fazenda deve passar por 'reorientação imediata' e aponta 'golpismo no plano econômico'

VERA ROSA, RICARDO DELLA COLETTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2015 | 02h05

A corrente Mensagem ao Partido, segunda maior força interna no PT, quer que o 5.º Congresso da legenda, de 11 a 14 de junho, em Salvador, aprove uma resolução cobrando mudanças na política econômica do governo Dilma Rousseff.

Integrada pelo ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, a tendência vai pedir a "reorientação imediata" dos rumos da economia, redução da taxa básica de juros e manutenção dos programas sociais que sofreram corte no Orçamento.

A posição mais dura da corrente - que também conta com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo - tem como parâmetro um documento aprovado na etapa gaúcha do 5.º Congresso do PT, realizada no sábado em Porto Alegre. O texto vê contradições entre as medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o programa de Dilma, e chega a apontar "golpismo" no plano econômico.

"Se um equilíbrio orçamentário exige correções pontuais, elas devem ser direcionadas às camadas mais favorecidas da sociedade e não podem servir de pretexto para mudar o rumo da política econômica e vergá-la aos interesses financistas", diz o documento da Mensagem. "O 5.º Congresso conclama os militantes, parlamentares e dirigentes do PT a unirem-se às demais forças dos movimentos sociais, da esquerda (…) para barrar o golpismo em todas as suas dimensões, inclusive no plano econômico."

O presidente do PT, Rui Falcão, é contra a radicalização do documento final do congresso, que vai nortear os próximos passos do partido. Com o aval do Palácio do Planalto e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que integra a corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), Falcão tenta mapear as divergências e construir um acordo com as outras correntes, para que a resolução reflita o "pós-ajuste", momento em que o governo procura reagir à crise, imprimindo uma agenda positiva.

"Não quero uma resolução que fique fazendo juízo de valor contra o governo", disse Falcão, ontem à tarde, após reunião da Executiva Nacional petista, em Brasília.

Apesar de contrário a uma crítica frontal na direção da equipe econômica, o presidente do PT defendeu posições que contrastam com as de Levy. Nessa lista estão a volta da CPMF, o imposto do cheque, e a sanção sem veto da proposta aprovada pelo Senado que flexibiliza o fator previdenciário, mecanismo criado no governo Fernando Henrique para reduzir o valor da aposentadoria em até 30%.

"O mais simples seria isso, mas não me parece ser intenção do governo sancionar (o texto) como está", afirmou Falcão. "O partido é uma coisa e o governo, outra. Muitas vezes o governo toma iniciativas que, pela conjuntura, é melhor para nós não opinar, para não jogar água no moinho dos adversários."

Financiamento. O 5.º Congresso do PT também deve manter a decisão do Diretório Nacional de vetar doações de empresas ao partido até que o impasse sobre o financiamento da política no País seja resolvido pelo Legislativo. Em abril, o partido suspendeu o recebimento de doações empresariais, decisão que precisa ser referendada pelo congresso.

O cronograma, no entanto, foi atropelado pela ação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que comandou a aprovação de uma emenda que prevê doações empresariais apenas para os partidos. O texto foi votado um dia após emenda que previa financiamento privado a candidatos ter sido rejeitada.

"A segunda votação realizada foi um golpe, um rompimento de acordo", criticou Falcão. O PT defende um sistema que permita apenas o uso de recursos públicos para o custeio das campanhas e das estruturas partidárias.

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