'Governo tenta interferir em investigações com novo ministro da Justiça', afirmam delegados da PF

Entidade manifestou 'total indignação e repulsa' diante da conversa revelada entre os petistas a respeito de Eugênio Aragão que, segundo o texto, teve indicação 'comprometida' após gravações

Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2016 | 22h25

A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) divulgou na noite desta quarta-feira, 16, uma nota com críticas à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula. A entidade manifestou “total indignação e repulsa” diante da conversa revelada entre os petistas a respeito do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão.

Para a entidade, a indicação do ex-subprocurador-geral da República “restou comprometida” após a divulgação dos áudios entre Dilma e Lula. Na conversa, o presidente afirma que Aragão “parece nosso amigo”. Em seguida, no entanto, ele reclama que Aragão teria prestado qualquer auxílio ao governo enquanto atuava no Ministério Público Federal (MPF).

Para a ADPF, as menções sobre Aragão demonstram a clara intenção de que o nomeado interfira nas ações da Polícia Federal. “É lamentável constatar que agentes públicos, que deveriam agir com imparcialidade, transparência e moralidade, para a garantia da aplicação da Constituição Federal e das Leis, queiram praticar atos de ingerência política numa das mais importantes investigações em curso no país”, afirma a nota.

A entidade afirma que já fez alertas sobre o risco de interferência política na Polícia Federal. A ADPF também considera que a indicação de Aragão tem por finalidade “controlar as ações da Polícia Federal”, e pede urgência na aprovação da proposta de emenda constitucional (PEC) que tramita na Câmara para estabelecer a autonomia da Polícia Federal.

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