Governo tenta evitar novas surpresas do MST

Preocupado com a radicalização do MST, o Palácio do Planalto vai intensificar o acompanhamento das ações dos sem-terra e tentar montar uma articulação entre os diferentes setores do governo como Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, para evitar surpresas durante os feriados da Semana Santa.Por conta dessas movimentações dos sem-terra, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) decidiu manter o Exército na vigilância da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), de propriedade dos filhos do presidente, invadida no último final de semana pelo MST. Não há previsão de saída dos cerca de 150 homens da força.Nesta quarta-feira, os sem-terra realizaram uma outra ação considerada ousada pelo governo: estão a caminho do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, com objetivo de acampar no pátio externo existente à frente da base militar. No final do dia, eles estavam no entroncamento de uma estrada nas proximidades da base. A área, que é controlada pelo Comando da Aeronáutica, teve a sua segurança reforçada por policiais da Força Aérea.Toda a movimentação dos sem-terra está sendo vigiada pelos militares, que não permitirão qualquer tipo de aproximação e muito menos de invasão ao local. Seis ônibus com 170 manifestantes estão a caminho do Centro de Lançamento.O Palácio do Planalto está sendo auxiliado pelo Incra para buscar maiores dados sobre as intenções do movimento. O objetivo da manifestação do MST no local é se posicionar contra a realização do acordo entre Brasil e Estados Unidos para lançamento de foguetes, que está sendo apreciado pelo Congresso.A maior preocupação do governo, no momento, é de que durante os feriados os sem-terra possam bloquear estradas importantes do País. O Planalto, a PF e a Polícia Rodoviária estão mapeando as principais estradas federais para tentar detectar onde os sem-terra poderiam agir, provocando problemas nos deslocamentos da população nos feriados.O Planalto avalia ainda que, como o MST está conseguindo espaço na mídia para seus atos, deverá prosseguir nas invasões e nas manifestações nas viagens do presidente Fernando Henrique. A expectativa é de que as ações sejam intensificadas ainda na primeira semana de abril, não esperando o dia 17 de abril, quando tradicionalmente são feitas.Por causa dessas ações consideradas ousadas pelo Planalto, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, permanecerá em Brasília durante os feriados, acompanhando de perto todas as movimentações do MST.Pela decisão de setembro do STF, o Exército pode fazer guarda permanente nas seis residências oficiais do presidente: nos palácios do Planalto e do Alvorada, na Granja do Torto, no sítio em Ibiúna, no interior de São Paulo, no apartamento da rua Maranhão, em São Paulo, e na fazenda em Buritis.Permanentemente, apenas os palácios do Planalto e Alvorada e a Granja do Torto são vigiadas pelo Exército. No caso das residências particulares, também consideradas oficiais, apenas a fazenda em Buritis vem recebendo segurança federal. O governo estuda se estenderá esta segurança permanente à fazenda e aos demais domicílios do presidente.

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