Governo tenta dividir oposição para salvar CPMF no Senado

O Palácio do Planalto acendeu nestasemana um sinal de alerta vermelho e concluiu que só irágarantir a prorrogação da CPMF no Senado se conseguir dividir aoposição. Como potenciais aliados a esse objetivo, conta com osgovernadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas,Aécio Neves, ambos possíveis candidatos à sucessão dopresidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em reunião com os partidos da coalizão, convocados aoPlanalto nesta sexta-feira para tratar da tramitação da CPMF,Lula disse esperar "solidariedade" dos dois governadores daoposição, segundo relatos de parlamentares presentes. Esta semana, o PSDB anunciou ter aderido à bandeira doDemocratas e decidido retirar o apoio à renovação da CPMF,tributo que vence no final deste ano. Caso se mantenha firmecontra a prorrogação, os tucanos impõem o risco de derrota aogoverno, hipótese classificada como "tragédia" pelo ministro daFazenda, Guido Mantega. Se votarem unidos no Senado, atraindo somente mais trêssenadores da base aliada, DEM e PSDB obterão o número mínimo devotos (33) para derrotar a proposta de emenda constitucional. "Estamos discutindo o perfil tributário para o novopresidente da República. Tem partido que pode chutar o pau dabarraca, como o Democratas e o PSOL, mas tem partido que nãopode fazer isso porque tem chances eleitorais", afirmou RomeroJucá (PMDB-RR), líder do governo no Senado, à Reuters. Segundo o deputado Henrique Fontana (PT-RS), vice-líder dogoverno, Lula também lembrou que São Paulo e Minas estão entreos Estados que mais receberão recursos federais no Programa deAceleração do Crescimento (PAC) e, nesse sentido, devem estarcomprometidos com a saúde financeira da União. A CPMF vence no final do ano e a PEC encaminhada pelogoverno propõe sua renovação até 2011. Com a alíquota de 0,38por cento, a arrecadação estimada para este ano é de 36 bilhõesde reais. SEM TROCA DE MOEDA À bancada aliada da Câmara, Lula deixou implícito outrorecado: não adianta querer discutir outros assuntos antes daCPMF. O governo está disposto a debater reivindicações, mas nãopode trocar moedas neste momento. O recado de Lula tem endereço certo. Alguns partidos dabase, em especial o PMDB, querem negociar concessões com aequipe econômica antes de tratar da PEC. Além dos assuntosdomésticos, eles querem revisão de dívidas para o setoragrícola e a regulamentação da emenda 29 para a Saúde, queimplica aumento de despesas para o setor. Segundo Jucá, Lula fez questão de saber quando a propostada CPMF seria aprovada pelo plenário da Câmara. De acordo comprognósticos otimistas, a matéria poderia chegar ao Senado nofinal de outubro. Alguns parlamentares acham que ela demorarámais que isso. O relator da matéria na comissão especial da Câmara,deputado Antonio Palocci (PT-SP), afirmou que deve apresentarseu relatório na próxima semana. Segundo o presidente dacomissão, deputado Pedro Novais, o parecer poderá ser levado àvotação ainda na terça-feira. Depois de aprovado, o texto seguepara o plenário. A situação do governo no Senado tornou-se ainda maisdifícil nesta quinta-feira. O presidente da Comissão deConstituição e Justiça (CCJ) da Casa prometeu designar asenadora Kátia Abreu (DEM-TO) como relatora da CPMF. O DEM temposição fechada contra a contribuição. "Ela apresentará o parecer contra a CPMF. Nós vamosapresentar um relatório a favor. Vamos bater voto a voto,"acrescentou Jucá.

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