Governo tenta conter ação dos aliados contra taxar inativos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, desautorizaram hoje, em conversas com líderes do governo, qualquer iniciativa no sentido de suprimir já, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a taxação dos servidores inativos. Nas últimas 24 horas, aliados do governo identificaram manifestações de parlamentares de sua própria base pela retirada do dispositivo, tendo como principal argumento as divergências sobre sua constitucionalidade. Essas pressões estão localizados no PC do B e no PT. Os líderes do governo estão orientados para defender a constitucionalidade da medida, bem como evitar qualquer problema na CCJ. ?Isso desmontaria todo o acordo para a aprovação das reformas?, disse um interlocutor do presidente Lula, para quem o governo precisa honrar o compromisso com os governadores para não correr o risco na aprovação de outros itens das reformas nas comissões especiais. Os problemas internos, porém, já estão incomodando outros aliados, como o PSB cujos parlamentares cobram também unidade do PT e do PC do B. O PSB tem três deputados na CCJ e, mesmo com restrições à medida, deverão votar com a orientação partidária favorável à contribuição previdenciária dos inativos. ?Mas não podemos ser favoráveis enquanto o PT não se comporta como bancada do governo?, avaliou um deputado do PSB. O deputado do PSB afirmou que as negociações em torno da cobrança dos inativos poderiam ser feitas depois de aprovada a constitucionalidade na CCJ. Os líderes do governo estão buscando uma saída para o deputado Antonio Carlos Biscaia (RJ), que agora se sente constrangido em aprovar a taxação dos inativos, já que, em 1999, foi contra a medida por considerá-la inconstitucional.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.