Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90
Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados
Lúcio Bernardo Junior/Câmara dos Deputados

Governo tenta barrar presidente de comissão dos Direitos Humanos na ONU, diz entidade

Integrantes das Nações Unidas afirmam que diplomatas brasileiros fizeram pressão para evitar discurso de deputado em sessão

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2017 | 18h55

GENEBRA – O governo brasileiro pressiona a ONU para impedir que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, deputado Paulão (PT-AL), discurse nesta sexta-feira, 5, durante a sabatina que Brasília enfrentará nas Nações Unidas sobre sua política de direitos humanos. Diplomatas brasileiros chegaram a se reunir com funcionários da ONU na tentativa de evitar “problemas” que o deputado poderia causar durante o encontro, segundo integrantes da entidade. Mas não conseguiram evitar que ele fosse credenciado. 

Dessa forma, o deputado vai apresentar seu relatório paralelo ao do governo brasileiro sobre a situação dos direitos humanos no País em um encontro numa outra sala com integrantes da sociedade civil e sem a presença da maioria dos governos. Já o relatório oficial brasileiro será apresentado pela ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois.

A sabatina ocorre periodicamente com governos de todo o mundo na ONU que, para apresentar suas posições, formam delegações responsáveis por defender a posição do País. Em 2012, no último exame do Brasil na ONU, o então deputado Domingos Dutra (PT-MA), presidente daquela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, foi autorizado a discursar. 

Na semana passada, o Itamaraty informou que a delegação seria composta pela representante permanente do Brasil na ONU, Maria Nazareth Farani Azevêdo, pela ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, pelo subsecretário-geral de Assuntos Políticos Multilaterais, Europa e América do Norte, Fernando Simas Magalhães, pela secretária-executiva do Ministério da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, além de Maria Inês Fini, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Nesta quinta-feira, 4, o ministério afirmou que o deputado faria parte da delegação. 

O encontro de diplomatas com gente da ONU ocorreu na terça-feira, 2. O governo estaria preocupado com eventuais “distúrbios” que o deputado Paulão poderia causar. 

Procurada, a missão do Brasil em Genebra não respondeu ao email da reportagem. Já o Itamaraty, em Brasília, indicou que “o deputado Paulão está sendo credenciado e terá assento junto à delegação brasileira”. Questionada pela reportagem sobre o encontro específico entre a diplomata e a ONU, a chancelaria ignorou a pergunta. 

“O deputado tem recebido apoio de praxe dispensado pelo Itamaraty e pela Missão do Brasil em Genebra a parlamentares em viagens oficiais. O deputado foi recebido hoje pela Ministra dos Direitos Humanos e pela Representante Permanente do Brasil em Genebra, nas dependências da missão brasileira”, disse o governo.

 

Ao Estado, o deputado afirmou que, durante dias, o governo “fez de tudo para dificultar” sua viagem e explicar a agenda de trabalho. Ao se reunir nesta quinta-feira, 4, com a missão brasileira em Genebra, ele não recebeu nenhuma indicação de que seria autorizado a falar. Mas foi convidado para uma bacalhoada promovida pela missão, ao final do exame. Ele disse ter recusado o convite. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.