Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

PMDB contesta sugestão de Mercadante em pasta de Temer

Planalto promete liberar emendas para acalmar base após petista propor nomeação de ministro de Relações Institucionais

RICARDO DELLA COLETTA, TÂNIA MONTEIRO E ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2015 | 02h06

BRASÍLIA - Para pacificar a base, em especial o PMDB, e consolidar apoio para o projeto de lei que revê a política de desoneração da folha, o governo prometeu ontem liberar R$ 4 bilhões em emendas parlamentares e acelerar a nomeação de cargos de segundo escalão, além de ter assinado um decreto que garante que os pagamentos de emendas antigas de deputados e senadores não serão cancelados. 

A base no Congresso tem se queixado de que as emendas estão totalmente congeladas. Há também reclamações sobre demora nas nomeações. Em relação à distribuição de cargos, o governo decidiu que, nos Estados onde não houve acordo em relação ao nome indicado, a decisão será tomada pelo governo. No domingo, o vice-presidente Michel Temer e os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, das Comunicações, Ricardo Berzoini, e da Aviação Civil, Eliseu Padilha, se reúnem para tratar do tema. 

Os anúncios foram feitos em reunião comandada por Temer e Mercadante ontem, no Palácio do Jaburu. O ministro da Casa Civil defendeu a necessidade de que seja nomeado um titular para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), cargo hoje vago e acumulado por Temer. Para o petista, com a chegada do momento de liberação das emendas parlamentares, é preciso que haja uma pessoa 100% dedicada ao tema para saber como será feita a distribuição. Hoje, Berzoini e Padilha cuidam do assunto.

Reação. A fala repercutiu mal no PMDB. Segundo integrantes do partido, a ideia cria um clima de “hostilidade” e pode causar até o rompimento da aliança. Nos bastidores, peemedebistas classificaram a proposta como uma reação de Mercadante ao fato de ter perdido espaço no governo desde que o vice acumulou a função de coordenador político. Alguns chegaram a dizer que, se Dilma realmente nomeasse um novo nome para a SRI, estaria assinando a “declaração de rompimento” com o PMDB. 

Para o ex-ministro Moreira Franco, um dos principais aliados de Temer, “não cabe esse tipo de ciumeira e hostilidade” a quem está “entregando os resultados” esperados. Ele lembrou que há medidas importantes que ainda precisam passar pelo Congresso, como o projeto das desonerações. “Eu acho que o Michel tem dado demonstrações no exercício da atribuição que lhe foi delegada pela presidente de que nós do PMDB não vamos deixar que a perplexidade paralise o País. É natural que ela reconheça isso”, disse. O líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE), também criticou a ideia de Mercadante. “Quer dizer que eu sou chamado para apagar o incêndio e depois vou lá e queimo o bombeiro?”, ironizou. 

Partidos aliados e peemedebistas jogam na conta de Mercadante o fato de as nomeações não saírem. A Casa Civil, por sua vez, alega que muitas delas não saíram por falta de entendimento dos próprios partidos. 

Ontem, em conversa com o Estado, o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, defendeu Mercadante. “A fala do ministro Aloizio Mercadante tinha por objetivo aprimorar o funcionamento do atendimento aos parlamentares e às suas demandas”, afirmou. “A posição é de reconhecimento ao vice-presidente, que tem cumprido papel fundamental na garantia da governabilidade.” / COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA e BEATRIZ BULLA

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