Ricardo Stuckert e reprodução|Youtube
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Governo Temer e PT travam batalha pela 'paternidade' da transposição do São Francisco

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado as redes sociais para divulgar que a obra começou em seu governo; o peemedebista, por sua vez, tem usado as visitas a trechos da transposição como uma forma de colocar em prática uma agenda positiva e de tentar se aproximar do eleitorado do Nordeste

Ricardo Stuckert e reprodução|Youtube
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Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

07 Março 2017 | 20h01

Brasília - Com a chegada das águas da transposição do rio São Francisco ao sertão nordestino nas últimas semanas, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) e o PT começaram a travar uma batalha pela "paternidade" da obra.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem usado as redes sociais para divulgar que a obra começou em seu governo. O petista divulgou vídeo de moradores da região ressaltando que ele era o responsável pela transposição. "Hoje eu estou aqui agradecendo, em primeiro lugar a Deus e, em segundo lugar, a Lula", afirmou um homem que tomava banho de rio em Custódia, uma das cidades de Pernambuco beneficiadas com a obra.

Nesta terça-feira, 7, foi a vez da ex-presidente Dilma Rousseff postar uma mensagem no Facebook para afirmar que a obra só não foi concluída em sua gestão porque ela sofreu impeachment. Segundo dados apresentados pela petista, 86,3% estavam concluídos até abril do ano passado, um mês antes de Dilma ser afastada da Presidência.

No último fim de semana, o senador Humberto Costa (PT-PE) foi a cidades no interior de Pernambuco para "fincar a bandeira" do PT como autor da obra. Durante a viagem, fez críticas a Temer e disse que, agora que a transposição está se tornando uma realidade, todo mundo quer "tirar uma casquinha" do êxito do projeto. Ele lembrou, por exemplo, que no mês passado o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), virtual candidato à Presidência em 2018, visitou a região.

Para o senador, Lula deveria dar início a uma "caravana" pelas cidades beneficiadas pela obra para marcar posição e não deixar que Temer receba os créditos pela transposição. "Nós vamos fazer uma disputa política forte", afirmou.

O peemedebista, por sua vez, tem usado as visitas a trechos da transposição como uma forma de colocar em prática uma agenda positiva e se aproximar do eleitorado do Nordeste, região do País onde é mais mal avaliado. Neste sábado, deverá desembarcar em Monteiro, no interior da Paraíba, para uma cerimônia simbólica: será a primeira vez que água canalizada pela obra vai chegar ao destino final do eixo leste do projeto.

Diante das críticas do PT, aliados do presidente afirmam que a obra "não tem dono" e que se trata de uma "mentalidade arcaica" disputar a paternidade do empreendimento, que foi construído com dinheiro público. Segundo o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB), o governo não vê problema em reconhecer que as obras foram iniciadas por Lula, mas ele fez questão de frisar que os estudos sobre a viabilidade da transposição começaram ainda quando o tucano Fernando Henrique Cardoso era presidente.

O líder governista também não poupou críticas ao PT, e afirmou que transposição só não foi concluída antes "por falta de vontade política". "Os estádios da Copa do Mundo foram erguidos em tempo recorde, por que não se tratou a transposição com a mesma urgência e relevância? O PT agora não tem o direito de reclamar porque o governo Temer está concluindo a obra. Eles tiveram a oportunidade e não souberam fazer", disse.

A transposição do Rio São Francisco começou em 2007, durante o segundo mandato de Lula. Sob a gestão de Dilma, o ritmo dos trabalhos diminuiu, especialmente por causa da crise econômica. Pela previsão do Ministério da Integração Nacional, a obra deverá ser concluída no segundo semestre deste ano.

Para tentar criar uma marca do seu governo, Temer lançou no ano passado um programa de revitalização de R$ 1,2 bilhão da Bacia do Rio São Francisco intitulado "Novo Chico", que inclui recuperação de áreas, controle de processos erosivos e a implementação de técnicas de irrigação mais modernas.

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