REUTERS/Ueslei Marcelino
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Renan diz que Temer 'conseguirá a proeza de ser o refundador do caos'

Ex-presidente do Senado vinha criticando as reformas do governo e foi 'expulso' da liderança do PMDB, na semana passada, quando ameaçou barrar a reforma trabalhista

Thiago Faria e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 19h18

BRASÍLIA - Com a mesma estratégia usada anteriormente, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) voltou a atacar o governo de Michel Temer nesta quinta-feira, 6. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o peemedebista afirma que o presidente "conseguirá a proeza de ser o refundador do caos".

A divulgação do vídeo, de 30 segundos, acontece após ele deixar a liderança do partido na semana passada.A situação dele na bancada se tornou insustentável após ameaçar trocar nomes do partido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para  barrar a reforma trabalhista. Após a ameaça, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), começou a recolher assinaturas para destituí-lo do cargo.

"A ameaça de pagar o seguro-desemprego, o Fies com fundo condicional, a falta de dinheiro para pagar o Bolsa Família e a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal sem recursos para serviços básicos demonstram que o governo Temer, mesmo badalado pelo mercado, vai aprofundar o abismo. Conseguirá a proeza de ser o refundador do caos", afirma Renan no vídeo.

Embora no mesmo partido de Temer, a oposição de Renan ao governo inclui um cálculo eleitoral. O peemedebista tentará renovar o mandato no Senado no ano que vem e Temer tem altos índices de reprovação em Alagoas, seu Estado. Sua estratégia será tentar se reaproximar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem prestígio na região.  

Eleições indiretas. O senador falou, depois de gravar o vídeo, que a situação do governo do presidente Michel Temer "parece insustentável". "Ninguém de bom senso deve dar as costas à saída constitucional", disse ao Broadcast, fazendo referência à eleição indireta.

Há algumas semanas, Renan chegou a dizer por meio de interlocutores que Temer deveria ser o protagonista da escolha do seu sucessor para garantir uma "saída negociada". Desta forma, ele conseguiria escolher o perfil do político que faria a "transição" até a eleição de 2018.  

Desde o início do ano, Renan demonstrava desconforto com a participação do chamado centrão no governo (grupo formado por 13 partidos, como PSD e PSB) e de aliados do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba no âmbito da Operação Lava Jato. 

"Eu sempre defendi a ampliação do papel do PSDB no governo, o PSDB deveria se posicionar como um contraponto ao grupo hegemônico da Câmara, mas Michel (Temer) nunca entendeu seu verdadeiro papel", criticou Renan.

Esta semana, o movimento pró-desembarque do governo começou a ganhar força entre os senadores do PSDB, considerado o principal aliado de Temer. O presidente interino da legenda, Tasso Jereissati (CE), declarou que a posição do partido "é cada vez mais clara" pela saída do governo. 

Hoje, Tasso fez um aceno ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para uma eventual sucessão do presidente Temer. Sobre um cenário hipotético de transição, Tasso avalia que a equipe econômica do atual governo deveria ser mantida e que governo tem que ser o mais próximo possível do intocável em termos de postura ética".

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