Governo teme violência com morte de cacique

A morte do guarani-caiová Marcos Veron, de 72 anos, pode aumentar a violência na região de Juti, em Mato Grosso do Sul. A avaliação é de integrantes do governo, que não descartam a possibilidade de confronto entre índios e fazendeiros. A Fundação Nacional do Índio (Funai) detectou nesta terça-feira um problema entre os dois lados em Panambizinho, área perto de Dourados, a 50 quilômetros de Juti.Veron comandou a invasão da Fazenda Brasília Nova pela segunda vez, no sábado. Ele estava com 90 índios e teria sido surrado por dois homens. A primeira invasão ocorreu em abril de 1999, quando a propriedade foi praticamente destruída, segundo inquérito da Polícia Federal (PF).Segundo o laudo do médico legista Damacir Jiacomo, de Fátima do Sul, perto de Juti, Veron teve traumatismo craniano e ferimentos pelo corpo. O administrador do Núcleo Regional da Funai em Dourados, Jonas Rosa, disse que pelo menos dez pessoas ficaram feridas.Os acusados negam ter agredido Veron, mas o Ministério da Justiça informou que a PF já pediu prisão preventiva de dois funcionários e do administrador da Brasília do Sul.O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, determinou que a PF entre no caso e se mostrou preocupado. "Temos hoje três áreas com grandes problemas e uma delas é justamente essa", disse, em Brasília."Nunca colocamos arma na fazenda, ainda acreditamos na Justiça e conseguimos a reintegração de posse, em 2001, pelas vias legais", disse em São Paulo a advogada Vanda Moraes Jacintho da Silva, mulher do dono da Fazenda Brasília do Sul, Jacintho Honório Silva Filho.Vanda criou uma ONG, a União em Defesa do Estado de Direito, após ter sua propriedade ocupada. "Não queríamos violência, somos de paz."Segundo os defensores da família, do escritório Fuzaro Advogados Associados, a acusação de que funcionários estão envolvidos na morte do índio são "infundadas". Eles afirmam que não houve confronto.Vanda disse que o grupo liderado por Veron é composto de índios desaldeados que querem fundar uma aldeia própria. "Nenhum índio das outras aldeias gosta dele. Eles cometeram vários abusos quando estavam dentro da fazenda." A advogada desmentiu a versão de que a propriedade está no local onde havia uma aldeia.Araldo Veron afirmou que os índios vão enterrar seu pai nesta quarta-feira na Fazenda Brasília do Sul, denominada por eles Aldeia Taquara. Revoltados, os índios prometem novas invasões. "Não temos medo de conflito. Se for possível reuniremos 5 mil índios para tomar posse da área", ressaltou Araldo.Veron se dizia cacique da nação guarani-caiová. Segundo documentos, porém, era um paraguaio casado com brasileira, funcionário aposentado do Ministério da Agricultura.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.