Governo teme outra ''CPI do fim do mundo''

Base manobra para evitar que Petrobrás vire alvo de comissão

Christiane Samarco e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

06 de junho de 2009 | 00h00

O governo teme que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga as organizações não-governamentais (ONGs), hoje sob o comando da oposição, se transforme em uma "CPI do fim do mundo", a exemplo do que ocorreu em 2006 com a CPI dos Bingos. Na época, a comissão investigou de tudo um pouco, desde o assassinato do prefeito petista de Santo André Celso Daniel até denúncias de corrupção, em Ribeirão Preto, quando Antonio Palocci, hoje deputado federal (PT), era prefeito da cidade, no anos 90. A preocupação do Palácio do Planalto é que o DEM e o PSDB, que têm a presidência e a relatoria da CPI das ONGs, tragam para esse inquérito as investigações sobre supostas irregularidades na Petrobrás e também na Agência Nacional de Petróleo (ANP)."Eles (os governistas) não querem apurar as bandalheiras na Petrobrás", afirma o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM). Relator da CPI das ONGs desde a semana passada, o tucano avisou que na terça-feira entregará um programa de trabalho com os próximos passos do inquérito. Apesar de garantir que não haverá "medidas extremas" na CPI das ONGs, Virgílio diz que o inquérito pode ter pontos em comum com a investigação da Petrobrás. RELATORIANa terça-feira, os governistas tentaram retomar a relatoria da CPI das ONGs. "Não aceitamos a demissão arbitrária de um relator e a condução de um outro que nunca participou da CPI das ONGs", diz o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP).O Planalto suspeita que a oposição deseja aproveitar a CPI das ONGs para "pegar" eventuais irregularidades em contratos firmados pela Petrobrás com organizações não-governamentais. Para tentar barrar a articulação dos adversários do Planalto, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), apresentou uma questão de ordem vinculando a abertura do inquérito sobre a Petrobrás à devolução da relatoria das ONGs à base aliada.O líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL), alerta que seu partido não está no comando dessa articulação. "A estratégia é do governo e o PMDB não esta dando nem vai dar o rumo neste processo", diz o líder peemedebista. Com o impasse, o governo espera ganhar tempo para definir o presidente e o relator do inquérito da Petrobrás.

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