Governo teme novo vazamento de óleo na Guanabara

A Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro teme que possa ocorrer um novo vazamento de óleo na Baía de Guanabara quando se tentar afundar o duto da Refinaria de Manguinhos, responsável pela mancha que polui a baía desde sexta-feira. "Ainda há 300 mil litros de óleo no duto e é possível que tenha algum novo vazamento quando bombearmos água para dentro do duto para ele afundar", afirmou o secretário estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, André Corrêa.O secretário disse que espera realizar a operação de afundamento do duto amanhã ou, no mais tardar, na terça-feira. "Precisamos que a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que interditou o duto na sexta-feira, libere o duto para a troca de uma manta, que está lá no duto tapando o vazamento como um esparadrapo, por uma braçadeira que agüenta a pressão do bombeamento de água", explicou Corrêa. Segundo Corrêa, a secretaria pedirá amanhã uma reunião de emergência com a ANP para pedir que a interdição do duto seja suspensa. De acordo com a presidente da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema), Isaura Fraga, a braçadeira agüenta uma pressão de 15 vezes a necessária para a operação. "O bombeamento de água tem uma pressão de dois e a braçadeira agüenta 30", informou.Corrêa explicou que a causa do vazamento de óleo na Baía, que segundo a Feema começou na sexta-feira de manhã e durou até sábado às 14h30, foi que o oleoduto, que fica no fundo do mar, subiu para a superfície na quinta-feira e provavelmente foi batido por uma embarcação grande, que provocou uma rachadura. Antes, por volta do meio-dia da quinta-feira, a subida do duto já tinha provocado um acidente com uma lancha, que, no entanto, não tinha causado maiores danos no duto."Na sexta-feira, às 8h15 da manhã, começamos a bombear água para dentro do duto para ele afundar, mas ele estava rachado e não sabíamos, e houve o vazamento", disse Luiz Henrique Sanches, diretor comercial e de distribuição da Refinaria de Manguinhos, empresa responsável pelo duto. "Paramos de bombear sete minutos depois e o vazamento de óleo mesmo foi nesses sete minutos, depois foi uma mistura de água, óleo e ar e em quantidades bem menores", disse Sanches.Além de divergirem sobre o tempo de vazamento, empresa e governo divergem também sobre o volume vazado e os riscos futuros. Para Sanches, o vazamento ocorrido foi de entre 40 mil e 60 mil litros de óleo. Já para a Feema, este vazamento deve ter sido entre 80 mil e 110 mil litros de óleo.Sanches argumentou que, embora o duto tenha 300 mil litros de óleo, "só poderia vazar o volume que está antes do furo." De acordo com ele, esse volume era de 100 mil litros, mas parte disso vazou e provocou a mancha na Baía de Guanabara. "Esperamos que tenha algum vazamento agora porque não acreditamos que todos os 100 mil litros tenham vazado antes", disse.A mancha de óleo na Baía de Guanabara, que tinha chegado até a praia do Flamengo, no Rio, e às praias das Flechas e Gragoatá, em Niterói, já estava restrita hoje a duas áreas: a praia da Ilha do Fundão, na Zona Norte, e a área do cais do Porto do Rio, no Centro. "Mesmo com as manchas e as barreiras, há pessoas entrando na água na praia do Fundão", disse Corrêa, anunciando que está pensando em pedir ajuda da Defesa Civil para impedir mergulhos onde está a mancha de óleo. Segundo Corrêa, a Refinaria deve ser multada hoje em um valor entre R$ 500 mil e R$ 3 milhões, dependendo de itens como os danos causados e o volume vazado.

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