Governo teme desfiguração de reforma da Previdência

O governo está sensível às propostas de modificação da reforma da Previdência, mas teme dificuldades para conter o ímpeto dos parlamentares de avançarem em pontos que poderão desfigurar a proposta original do governo. "O problema é delimitar quais mudanças serão aceitas", admitiu uma fonte do governo que garante não haver, até o momento, qualquer decisão de governo em relação a pontos da reforma que podem ser modificados. A preocupação dominante de técnicos do governo é que não se avance nas negociações - típicas de uma discussão no Congresso - em pontos sensíveis da reforma como a cobrança da contribuição dos inativos, questão emblemática da reforma, ou mesmo naqueles que possam comprometer o equilíbrio fiscal projetado para a Previdência ao longo dos próximos anos.Hoje o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o presidente da Câmara, João Paulo, reunirão a base aliada em um café da manhã para discutir a Lei de Falências, que está com seu cronograma de votação atrasado, mas é certo, segundo os líderes, que se avançará na discussão da reforma da Previdência. Inclusive, para tentar definir os limites da negociação com o Congresso, para que se possa, ao mesmo tempo, construir o consenso em torno de pontos intocáveis e aparar arestas que dificultam a aprovação da reforma. Os líderes defendiam ontem uma proposta que, em princípio, atenderia apenas aos servidores do Judiciário: a manutenção da aposentadoria integral e da paridade de vencimentos entre servidores ativos e inativos. O governo, em tese, aceita discutir modificações sem criar novos nichos de favorecidos. Esta proposta, por exemplo, para ser acatada deveria incorporar todos os funcionários públicos e não gerar novas despesas.

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