Governo se preocupa com grampo generalizado, diz Múcio

Governo defende votação de projeto de lei que prevê punições para responsáveis por estes tipos de grampos

Luciano Coelho, especial para O Estado de S.Paulo

25 Julho 2008 | 18h08

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio, afirmou durante o VIII Fórum dos Governadores, no Metropolitan Hotel, em Teresina, que seu telefone parece mais uma rádio comunitária de tanto grampo que tem. José Múcio, bastante solícito com a imprensa, conversou animadamente e disse que o governo tem enfrentado problemas com grampos clandestinos e defende a votação em caráter de urgência de um projeto de lei que prevê punições para os responsáveis por estes tipos de grampos. A expectativa é que o projeto seja votado em agosto, logo após o recesso legislativo.  "Tenho a impressão que meu telefone é uma rádio comunitária", declarou José Múcio, afirmando que quando fala ao telefone sabe que tem outras pessoas ouvindo. "É melhor pensar assim, tomar as precauções e exceder na confiança. Hoje existe o grampo oficial, que é requerido pela Justiça, e o grampo clandestino", assinalou o ministro. O ministro defende que seja aprovado no Congresso Nacional um projeto de lei que puna os responsáveis por grampos clandestinos. Ele disse que o Governo tem se preocupado com estas escutas em Brasília."Isso é um crime, mas ainda não existem sanções para isso", ressaltou o ministro José Múcio. Ele disse que o Governo está enfrentando problemas com grampos clandestinos e apóia uma lei que tramita em caráter de urgência na Câmara Federal para punir os infratores. O ministro disse que o problema de grampo não se trata de um caso isolado, mas está generalizado. "Sempre digo isso em tom de brincadeira. Não estou dizendo que o meu telefone está grampeado. Mas é preciso agir como se estivesse", finalizou José Múcio Monteiro. O uso de grampo não está apenas no Executivo, mas há suspeitas também no Legislativo e no Judiciário. Há pouco tempo, na semana passada o Supremo Tribunal Federal (STF) resolveu determinar uma varredura nos telefones do órgão buscando escutas ou grampos. Nada foi detectado. O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) também alegou que estava sendo monitorado pela Polícia Federal, na Operação Satiagraha. Ele disse que não sabia que estava sendo investigado. Por conta das escutas, ele teve direito a acesso ao inquérito da Operação e mandou seus advogados processarem o delegado federal Protógenes Queiroz, que coordenou as investigações, alegando vazamento de informações do inquérito.(LC).

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