Governo se mantém em alta nas alas de esquerda

Com exceção de determinados setores das pastorais sociais da Igreja Católica e de algumas organizações não-governamentais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não vê nenhum problema a curto e a médio prazos nas suas relações com os setores organizados mais à esquerda da sociedade.Existem duas explicações para isso, de acordo com um representante do alto escalão do governo. A primeira é que esses setores nunca receberam tanto dinheiro para suas atividades como agora. O melhor exemplo, de acordo com a mesma fonte, é o das centrais sindicais: estão com dinheiro em caixa e, na maioria dos casos, integram a base de apoio de Lula.A segunda explicação é o esforço do governo para atrair esses setores, franqueando-lhe a porta de seus ministérios e criando comissões de negociação. Quem assinala isso é o cientista social Rudá Ricci, de Belo Horizonte. Nesta semana, em seu blog (rudaricci.blogspot.com), no qual aborda questões relacionadas ao movimento popular, ele divulgou a seguinte informação, também pescada no Planalto: "O governo Lula avalia que o movimento sindical, as organizações estudantis, os movimentos e organizações de luta pela terra (com exceção da CPT) e os movimentos feministas e negros estariam contemplados nas negociações com ministérios e secretarias nacionais temáticas. O problema estaria no relacionamento com ONGs, fóruns de direitos e algumas organizações confessionais."Tudo indica que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) causa mais dores de cabeça ao governo do que o MST. Em outras palavras, é mais difícil para o ministro Luiz Dulci - secretário-geral da Presidência e responsável pelo diálogo com os movimentos sociais - fazer acertos com o bispo d. Tomás Balduíno, um dos ícones das pastorais sociais, do que com João Pedro Stédile, líder dos sem-terra.Quem procurar o núcleo da resistência ao projeto de transposição das águas do Rio São Francisco, projeto caro a Lula e à base aliada, vai encontrá-lo na CPT. O mesmo ocorre na questão indígena: as críticas mais duras contra o governo partem do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), também ligado à pastoral católica.Conforme um artigo postado na quinta-feira no site da organização (www.cimi.org.br), assinado pelo missionário Jorge Vieira, a situação dos índios só tem piorado: "Como resultado da aliança do governo com os setores invasores de terras e historicamente inimigos dos povos indígenas, pode-se identificar nos últimos anos o aumento de assassinatos de lideranças indígenas, ampliação das fronteiras agrícolas sobre seus territórios e aumento da precarização da mão-de-obra.

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