Governo se diz tranqüilo com CPI do Proer

Foi criada, em sessão do plenário da Câmara, a CPI sobre o programa de reestruturação do sistema financeiro (Proer). Os líderes partidários têm prazo regimental de 48 horas para indicar seus representantes, mas a previsão geral é a de que o inquérito só seja instalado na semana que vem. Além da tolerância em relação ao prazo ser uma praxe da presidência da Câmara, a investigação das relações do Banco Central (BC) com os bancos privados recomenda cautela especial. Motivo: Os partidos de oposição já avisaram que vão aproveitar o palco da CPI para pôr o governo na berlinda, e tirar o sossego do Palácio do Planalto. O Planalto, que venceu a batalha para impedir a abertura da CPI da Corrupção, agora não tem como evitar a investigação do Proer, que aguardava na fila de CPIs desde março de 1996. Mas, nem por isso, o governo está nervoso. "Se querem transformar a CPI do Proer em manobra eleitoreira, este palanque será do governo, e não da oposição", garante o coordenador político e secretário-geral da Presidência, ministro Aloysio Nunes Ferreira. "Vão nos dar uma tribuna para acabar com essa mitologia de que o Proer não foi moral, esclarecendo de vez que este foi um dos melhores programas que o governo já implementou", insiste o ministro. Não é o que pensam os adversários do Planalto, que querem investigar, em detalhes, as operações ocorridas entre o Banco Central e os bancos Nacional, Econômico, Bamerindus e, mais recentemente, a ajuda financeira aos bancos Marka e FonteCindan. A despeito das ameaças da oposição, o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), diz que a tranqüilidade do Planalto em relação à CPI do Proer é tamanha, que o assunto nem entrou na pauta da conversa que teve com o presidente Fernando Henrique Cardoso na semana passada. Não é à toa. Por puro golpe de sorte, o cargo mais importante da nova CPI ficará nas mãos de um tucano. As regras do rodízio na partilha dos postos de poder da Câmara, dão ao PSDB o direito de indicar o relator, cabendo a presidência ao PMDB. Tanto o líder do PSDB, deputado Jutahy Júnior (BA) quanto o ministro Aloysio Nunes acreditam que a CPI pode acabar sendo uma "maravilha" para o candidato da aliança governista em 2002, já que a polêmica poderá ser esclarecida com antecedência, em favor do governo. "Teremos uma excelente oportunidade de mostrar o desastre de um Brasil sem Proer, livrando o candidato de ter que dar explicações durante a campanha", justifica Jutahy.

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