Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Governo se defende sob novo panelaço

Enquanto Eduardo Cardozo e Miguel Rossetto foram à TV falar sobre os protestos, manifestantes batiam panelas em várias capitais

Vera Rosa, Lisandra Paraguassu e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2015 | 20h05

Atualizado às 21h26

Brasília - A presidente Dilma Rousseff avalia que os atos deste domingo, 15, são mais graves para seu governo do que as manifestações de junho de 2013, quando milhões foram às ruas por vários dias seguidos. 

Sob o impacto dos pedidos de “Fora Dilma”, a presidente vai fazer mudanças no Ministério, trocar interlocutores políticos e lançar um pacote com medidas para combater a corrupção, na tentativa de dar um forte sinal à sociedade de que o governo não está paralisado. 

Enquanto os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, davam entrevista ontem ao vivo, para avaliar os protestos, um ruidoso panelaço era ouvido à noite em São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Curitiba. 

“Não consideramos que nosso governo esteja fragilizado”, disse Cardozo. “Nós sabemos conviver com as manifestações e com as divergências.” O titular da Justiça amenizou o panelaço ocorrido nas capitais. “Nosso diálogo é com quem aplaude o governo e com quem critica. Democracia é isso”, insistiu. 

Rossetto afirmou que o governo compreende a “inquietude” da população e defendeu a reforma política e o ajuste fiscal . Disse que não é mais possível continuar com o financiamento empresarial e atribuiu os problemas econômicos à crise financeira no mundo. 

“As manifestações revelaram que o Brasil está muito longe do golpismo. São legítimas. O que não é legítimo é a intolerância e o impeachment”, argumentou o ministro da Secretaria-Geral da Presidência. 

Autocrítica. Rossetto e Cardozo foram escalados por Dilma para falar após reunião mantida por ela com ministros da coordenação política, no Palácio da Alvorada. No encontro, Dilma se mostrou assustada com a “consistência” das atos e disse, segundo apuração do Estado, que o governo fará uma autocrítica e terá uma agenda de “mais diálogo” com a sociedade. “Nós temos primeiro que ouvir as ruas, como fizemos em 2013”, disse o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. 

Na lista das medidas de impacto, o pacote anticorrupção que será enviado ao Congresso, nos próximos dias, torna crime o caixa 2 e prevê o confisco de bens adquiridos de forma ilícita por agentes públicos. 

No diagnóstico do Planalto e da cúpula do PT, o Congresso virou uma “trincheira” para retaliar Dilma e é preciso acalmar o PMDB do vice-presidente Michel Temer com uma reforma ministerial que contemple mais o partido, hoje com sete cadeiras na Esplanada. Dilma telefonou ontem para Temer, que passou o dia em São Paulo. Os dois combinaram de se encontrar hoje. 

Quem está na linha de tiro do governo, agora, é o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT), responsável pelo varejo das negociações do Planalto com o Congresso. Na mexida que fará no Ministério, Dilma vai mudar Pepe de cadeira. 

A intenção do Planalto é entregar a articulação política do governo para o PMDB e dar mais “missões” nessa área ao ministro da Defesa, Jaques Wagner. O ex-presidente da Câmara Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) também deverá ser chamado para ocupar um ministério.

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