Governo se antecipa para criar CPI dos cartões no Senado

Líder do governo diz que já reuniu assinaturas e Lula quer CPI para mostrar que 'governo não tem nada a temer'

Christiane Samarco e Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

06 de fevereiro de 2008 | 17h05

O líder do governo no Senado, Romero Jucá(PMDB-RR), anunciou nesta quarta-feira, 6, que já tem as 28 assinaturas para criar a CPI dos cartão de pagamento do governo nos últimos dez anos - são necessárias 27. "Conversei com o presidente Lula no início desta tarde e ele concordou com a CPI para mostrar à Nação que no governo não tem nada a esconder e nem vai segurar nada", afirmou.  Veja também:  Entenda o que são os cartões corporativos do governo   Suplicy defende que CPI apure gastos secretos da Presidência Após denúncia, governo publica mudanças para cartões Congresso volta ao com CPI na mira e sete MPs na pauta Lula nomeia secretário-adjunto para lugar de Matilde 'CPI vai investigar desde 2001', diz Carlos Sampaio Jucá pretende protocolar o requerimento nesta quinta-feira na Mesa do Senado, mas para isso aguarda ainda o apoio dos líderes do PSDB e do DEM. E disse que sua intenção, com a proposta, é a de evitar que o governo continue sendo alvo de acusações "sem ter feito nada errado." "Pior do que a CPI, que, de certa forma, pode tumultuar um pouco a Casa, é essa pressão contra o governo por causa de um ou outro deslize administrativo", afirmou. Ele disse que 28 senadores já assinaram o requerimento de criação da comissão.  Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP) disse que está assustado com a iniciativa do governo de coletar assinaturas para a criação da CPI. O deputado é autor do pedido de instalação de uma CPI, com o mesmo objetivo, que até o momento só havia recebido apoio da oposição. "O que motivou Jucá a pedir a CPI não pode ser uma causa lógica. É para enterrar a CPI", afirmou Carlos Sampaio. Sampaio tem mobilizado parlamentares para criar uma CPI mista, de senadores e deputados. "Não faço nenhuma resistência de alterar o meu requerimento para que as investigações sejam feitas nos últimos 10 anos, como propõe o governo", afirmou Sampaio.  Além das despesas com os chamados cartões corporativos a partir de 2002, Romero Jucá propõe que sejam investigadas todas as despesas do governo com o chamado suprimento de fundos, que eram destinados a gestores públicos para pagamentos despesas efetuadas com de cartões de crédito e pagamento de cheques. Embora os governos sempre trabalhem para evitar a instalação de CPIs, com o argumento de que toda CPI é prejudicial ao Executivo, Jucá afirmou que teve a autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar sua proposta aos colegas. "Pior que a CPI é uma nuvem de suspeita sobre o governo como se o governo estivesse querendo esconder alguma coisa, inclusive despesa do presidente e de seus familiares", disse o líder.  (Com Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo) Texto ampliado às 18 horas

Tudo o que sabemos sobre:
cartão corporativoCPI dos cartões

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.