Marcelo Camargo|Agência Brasil
Marcelo Camargo|Agência Brasil

Governo reunirá base para aparar arestas e tentar unidade

Na volta do recesso, deputados aliados farão a primeira reunião com o ministro da Fazenda para expor críticas à política econômica do País; governo espera alinhar trabalhos e passar imagem de unidade e, assim, enfraquecer as chances de impeachment de Dilma

Carla Araújo e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2016 | 16h32

BRASÍLIA - Na primeira reunião com Nelson Barbosa como titular da Fazenda e no primeiro dia da volta do recesso parlamentar, deputados da base aliada terão um café da manhã para expor críticas à política econômica do País e aparar arestas. A intenção do Planalto é começar 2016 passando uma imagem de unidade da base de sustentação do governo Dilma Rousseff.

O encontro com líderes da base está sendo articulado pelo ministro Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e pelo líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e deve ter a participação do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, além de Barbosa.

O governo espera com o encontro alinhar os trabalhos e passar uma imagem de mais unidade entre os aliados e, assim, enfraquecer as chances de impeachment de Dilma. A avaliação é de que, embora pertença ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o poder de colocar ou não o processo de impedimento na pauta, a imagem de uma base sólida pode enfraquecer essa arma do peemedebista, desafeto do Planalto.

A costura do governo para desenhar essa imagem de unidade, no entanto, pode não ser tão fácil. Em alguns partidos da base, há focos de resistência à condução da política econômica do governo. A avaliação de parte dos parlamentares é de que, por causa do perfil de Barbosa, Dilma terá ainda mais ingerência sobre a condução dos rumos da economia do que na época em que o ministério era conduzido por Joaquim Levy.

PSD. Deputados do PSD, partido do ministro Gilberto Kassab (Cidades) prepararam, a exemplo do “Ponte para o futuro” do PMDB, um conjunto de propostas com sugestões para melhorar a competitividade dos produtos brasileiros. O documento foi entregue nesta manhã.

“Com a entrada do ministro Levy a expectativa era de boa safra na economia e tivemos na verdade vinagre. Agora, o Nelson tem todos os pré-requisitos para que haja boa safra na economia do país”, afirmou Rogério Rosso, líder do PSD e crítico de Levy.

No ofício de cinco páginas, a bancada do PSD sugere ampliação e simplificação do acesso a linhas de financiamento para ampliação de exportações, desoneração da folha de pagamento para setores estratégicos e de alta capacidade de geração de emprego, regulamentação da terceirização, ampliação do escopo de atuação do Ministério da Fazenda, incentivos tributários, além das reformas previdenciária e tributária.

O encontro entre o líder do PSD e Barbosa durou cerca de uma hora e, de acordo com Rosso, o ministro concordou com as linhas apresentadas.

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