Governo retomará projeto de irrigação do semiárido

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou hoje que o governo vai retomar os estudos do projeto de transposição das águas do Rio São Francisco para irrigar áreas do semiárido nordestino. Lula, entretanto, não se comprometeu com o projeto, que é reivindicado por Pernambuco e outros Estados nordestinos e rejeitado pela Bahia. Ao discursar na solenidade de lançamento do Programa Seguro Safra, que vai atender agricultores prejudicados pela seca, Lula criticou presidenciáveis que, na campanha eleitoral, segundo ele, se diziam favoráveis à transposição quando visitavam estados como Pernambuco e contrários, quando iam à Bahia. "Não nasci com duas caras. Nunca fiz promessa, mas aguardem, porque se houver transposição nesse País vai ser no meu governo. Sabem por quê? Porque eu sei o que é seca. Vamos fazer estudo profundo sobre a transposição e como recuperar alguns rios", disse o presidente. Lula disse que nunca tomou posição sobre o assunto, pois queria conhecer os estudos. Deixou claro também que, ao lado da transposição, é preciso estudar formas de recuperar o Rio São Francisco, que sofre com o problema de assoreamento em longa extensão de seu curso. O projeto de transposição é antigo. O ex-ministro de Integração Regional no governo passado, Fernando Bezerra, tentou levá-lo adiante mas esbarrou em divergências internas.No pronuciamento, Lula criticou obras feitas no governo Fernando Henrique Cardoso contra a seca. Criticou a falta de continuidade do projeto da Barragem de Serrinha, no município de Serra Talhada. "Não tem um pé de urtiga irrigado", disse Lula. "Não dá para fazer uma represa daquele tamanho e deixar água armazenda para o sol bebê-la."Lula procurou ainda reforçar a auto-estima do Nordeste, lembrando ter sido vítima de preconceito e lamentando que os nordestinos sejam tratados como "cidadãos de segunda categoria". No palanque estava o ministro da Segurança Alimentar, José Graziano, que recentemente atribuiu os altos índices de violência de São Paulo à forte presença de nordestinos na cidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.