Governo reserva atrativos para conseguir apoio à CPMF

Estratégia de conquistar votos incertos da base ganhou força com a decisão do PSDB de pôr fim às negociações

CIDA FONTES, Agencia Estado

08 de novembro de 2007 | 17h54

Para consolidar o apoio da base aliada e garantir a prorrogação da CPMF até 2011, o governo reserva alguns atrativos para negociar com os senadores no momento apropriado. Um deles, segundo políticos do bloco governista, seria a redução gradual da alíquota da CPMF, que foi defendida na última quarta-feira, 8, pelo PMDB durante reunião da bancada.   Veja também:    Entenda como é a cobrança da CPMF  Governo tem mais que o suficiente para votar CPMF Serra acha 'inaceitável' ficar sem CPMF Veja a proposta do governo sobre a CPMF apresentada ao PSDB PSDB encerra negociação e decide votar contra CPMF PSDB recusa proposta do governo de isentar CPMF até R$4.340 Governo atacará no 'varejo' para conseguir votar CPMF PMDB fecha a favor da CPMF; Renan se abstém em decisão     A redução ajudaria a fechar os votos dos senadores Valter Pereira (PMDB-MS) e Pedro Simon (PMDB-RS), ainda considerados como indecisos pelos estrategistas do governo. Outra medida para agradar a base seria conceder algum tipo de desoneração que não significa alteração no Imposto de Renda.     A estratégia de conquistar os votos incertos da base aliada ganhou força com a decisão do PSDB na última terça-feira, segunda a qual o partido teria interrompido as negociações com o governo e decidido votar contra o tributo. "O governo precisa guardar alguma coisa para o final", concordou o senador Renato Casagrande (PSB-ES), que nesta quinta-feira participou de almoço com o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, em que ficou acertado o apoio da bancada capixaba à prorrogação.   Na reunião do Conselho Político, realizada no Palácio do Planalto, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, pediu aos líderes que façam um mapa dos votos de suas bancadas. A situação do governo é delicada e vai exigir muita conversa. Na avaliação de senadores ligados ao governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, não tem sido muito hábil nas negociações.   O primeiro teste do governo será na próxima semana, quando o relatório da senadora Kátia Abreu (DEM-TO) contrário à prorrogação da CPMF será votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O governo tem maioria, mas depende do apoio do senador Jefferson Peres (PDT-AM), de Pedro Simon e Valter Pereira.   Se não conseguir os votos dos dois peemedebistas em favor da CPMF, a idéia de líderes aliados é substituí-los por senadores favoráveis à renovação do tributo. Dos 22 votos na CCJ, 14 são de parlamentares que pertencem a partidos da base.   Mas o governo não pode contar com os senadores Mozarildo Cavalcante (PTB-RR) e o peemedebista Jarbas Vasconcelos (PE). Jarbas foi, inclusive, sondado pelo líder do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), sobre a possibilidade de vir a se ausentar da votação na CCJ. Ele recusou a oferta. Para a votação no plenário, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), contabiliza o voto do senador Expedito Júnior (PR-RO).   Relatório da CPMF   Os líderes dos partidos aliados ao governo convocam os senadores da CCJ para que, na próxima semana, cheguem a Brasília na segunda-feira. Habitualmente, a maioria dos parlamentares começa a chegar à capital na terça. O objetivo da convocação é o de garantir quórum na comissão para a leitura, no início da tarde de segunda-feira, do relatório sobre a PEC que prorroga até 2011 a cobrança da CPMF.   O presidente da CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE), disse que continua de pé o acordo com o governo para votar na terça-feira o relatório, mas observou que esse roteiro só poderá ser cumprido se a leitura for realmente feita na segunda-feira, com a presença de, no mínimo, 12 senadores na sessão da CCJ.   "Tudo vai depender do quórum", comentou Maciel. O prazo de 30 dias de tramitação da PEC na CCJ expira no dia 12, segunda-feira. O líder do governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB-RR), aposta em um entendimento e quer evitar um confronto relacionado a prazos regimentais. Em função do feriado de 15 de novembro, os governistas admitem esticar a votação da PEC até quarta-feira na CCJ.   O governo tem maioria na CCJ para derrubar o relatório de Kátia Abreu na votação de terça-feira próxima e fazer manobras na comissão. Mas, no plenário, a situação é mais delicada, já que é necessário o apoio de, no mínimo, 49 senadores para aprovar a PEC. Por isso, Jucá trabalha para evitar o confronto e não dar motivos para dissidências nos partidos que possam dificultar a vida do governo.

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