Governo rejeita Força Nacional em conflitos no Pará

Governo paraense diz possuir tropa especializada para atuar no campo e fazer reintegrações de posse

Carlos Mendes , de O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2009 | 18h53

A entrada da Força Nacional de Segurança nos conflitos agrários no Pará não vai acontecer, pelo menos por enquanto. Com 210 homens atuando em Belém desde o Fórum Social Mundial, no final de janeiro, a Força terá de se limitar a atender a segurança urbana. Em nota, o governo paraense diz possuir tropa especializada para atuar no campo e fazer reintegrações de posse em fazendas invadidas por sem terra. No sábado passado, um confronto armado entre integrantes do MST e seguranças da fazenda Castanhais, no complexo Espírito Santo, entre os municípios de Eldorado dos Carajás e Xinguara resultou em oito feridos.

 

Segundo a nota, o governo "não tem medido esforços para diminuir a violência agrária". E aponta como uma das medidas a criação de Delegacias de Conflitos Agrários (Deca) em Marabá, Redenção e Paragominas. A Deca de Marabá tem apenas um delegado e seis policiais para cuidar de 'conflitos em 14 municípios da região.

 

No caso da fazenda onde houve o confronto, a nota do governo observa não existir, até o momento, qualquer mandado de reintegração em favor da Agropecuária Santa Bárbara, uma das empresas do banqueiro Daniel Dantas. O MST continua dentro da área com 200 famílias e afirma que não pretende deixar o local, alegando ser "terra pública".

 

Policiais fortemente armados percorreram durante todo o dia  várias estradas da região em busca de homens armados, mas até o final da tarde não havia qualquer informação oficial sobre prisões. Um grupo de policiais militares e civis recebeu informações de que no assentamento São José, vizinho ao complexo Espírito Santo, agricultores ligados ao MST teriam escondido uma grande quantidade de armas. Não foi possível checar a informação, porque os policiais foram avisados por vaqueiros de fazendas que a estrada de acesso ao assentamento é perigosa devido à facilidade de emboscadas. A PM deve entrar no assentamento na manhã desta quarta-feira.

 

O cinegrafista amador Elbem Mezack contou ao Estado ter sido usado como escudo humano pelos sem terra durante o confronto com seguranças da fazenda. "Eu estava filmando e caí na besteira de ir com os outros jornalistas tentar intermediar uma negociação e impedir que houvesse mortes, mas o MST mandou que a imprensa ficasse na frente de seus homens armados. Temi por minha vida. Foi um momento de terror que nunca mais quero viver", disse Mezack. Ele fez imagens do sem terra Waldecir Wilson Nunes de Castro, conhecido por Índio, um dos feridos, no momento em que o integrante do MST era transportado no avião da Santa Bárbara, juntamente com um segurança da empresa Marca que recebeu um tiro no olho. "O Índio dizia não me deixa morrer", completou o cinegrafista.

 

O ferido, de acordo com o MST, teria uma bala alojada no coração e seria transferido para Belém. Ele deve ser operado no Hospital de Clínicas Gaspar Viana.

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