Governo quis esconder Meirelles, diz Jutahy

O deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA), vice-líder do partido na Câmara, considerou que o governo adotou "uma ação política para esconder o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, da possibilidade de ser julgado" ao editar a medida provisória que lhe dá status de ministro. "Diante da evidência de que o presidente do Banco Central seria processado, eles mudam o foro para tentar interferir no procurador-geral da República", acusou Jutahy, lembrando que, com o foro privilegiado, apenas o procurador-geral, Cláudio Fontelles, poderá apresentar denúncia contra Meirelles. Além do aspecto político, Jutahy levanta outras questões. No campo institucional, disse o tucano, há o fato de o presidente do BC ser o único ministro que não será de exclusiva nomeação do presidente da República, porque seu nome precisa de aprovação pelo Senado. No aspecto funcional, Jutahy lembra que o presidente do Banco Central é subordinado ao ministro da Fazenda. Na questão de oportunidade, Jutahy considera que há uma "situação anômala", porque Meirelles está sob investigação por evasão fiscal e sonegação patrimonial. "Parece que é alguém que tem medo de ser julgado. As desculpas que ele (Meirelles) apresentou pareciam conto de carochinha e conversa para boi dormir", disse o deputado. Além disso, lembrou Jutahy, o presidente do BC não foi ao Congresso se justificar. Jutahy afirmou que apesar de o governo ter maioria na Câmara, a medida provisória enfrentará resistências na Casa. "É um efeito bumerangue, porque a opinião pública está atenta e sabe que a medida provisória é para burlar a Justiça. É um absurdo. O governo do PT perdeu todos os parâmetros éticos", criticou. De acorco com Jutahy, o governo criou um ambiente político indesejado no Legislativo. Leia mais Aleluia vai ao STF contra MP de Meirelles Sarney elogia MP de Meirelles Bornhausen critica MP que dá status de ministro a Meirelles Presidente do Banco Central ganha status de ministro

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