Governo quer solucionar greves até o fim do mês

Numa tarefa nada fácil, o governo tentará encerrar novembro com uma solução definitiva para o problema das greves dos professores e dos servidores do INSS, parados há mais de três meses. Os funcionários da Previdência voltam amanhã ao trabalho. Já a negociação com os docentes está mais complicada. Mesmo enfraquecido com resistências em seções sindicais nos Estados, o comando do Sindicato Nacional dos Docentes (Andes) garante ter força para exigir reajustes que estouram o limite orçamentário de R$ 250 milhões estabelecido pelo governo.Hoje o presidente Fernando Henrique Cardoso assegurou em Lima, Peru, onde participou da XI Cúpula Ibero-americana de chefes de Estado, que o governo não romperá o acordo fechado com os funcionários do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), que permitiu o fim da greve da categoria. "Acordo é acordo. Feito acordo, se mantém", afirmou Fernando Henrique. Qualquer polêmica na interpretação dos termos do acordo, segundo o presidente, será tratada como "coisa técnica que vai ser alterada".O ministro da Previdência, Roberto Brant, garantiu que "acabou a greve, mas não o diálogo". Amanhã Brant se reúne com os previdenciários para discutir "probleminhas" do texto do projeto de lei que concede os reajustes. Essa proposta deve ser enviada na terça-feira ao Congresso e os servidores prometem manter o estado de greve até a aprovação do projeto nos termos acertados. Os funcionários da Previdência vão trabalhar em regime de plantão, com 12 horas de funcionamento por dia, para que a concessão de benefícios esteja normalizada em 30 dias.ProfessoresDepois de desistirem da incorporação da Gratificação de Atividade Executiva (GAE), maior entrave no diálogo com o governo, os líderes do Andes elaboraram hoje uma proposta que será discutida hoje pelas assembléias pelo País. Eles querem reajuste médio de 14,5% na tabela, de acordo com o nível salarial dos docentes. A proposta, porém, está orçada em R$ 350 milhões, mesmo valor estimado para a incorporação da GAE. O Andes quer ainda a equiparação da GID, uma gratificação concedida aos docentes das escolas federais de segundo grau, à GED, oferecida aos professores universitários. "O valor de R$ 250 milhões oferecido pelo governo é incapaz de recuperar de forma satisfatória as nossas perdas salariais", afirmou o presidente do Andes, Roberto Leher. Num lacônico "sim", o sindicalista disse que o comando nacional do sindicato tem força para fazer exigências na mesa de negociação.DecisãoA volta dos professores às salas de aula será decidida pelas assembléias sindicais nos Estados. As seções do Andes também estão analisando proposta apresentada na semana passada pela Associação Nacional dos Dirigentes (Andifes). O Ministério da Educação aceitou a sugestão dos reitores de conceder reajustes levando em conta a titulação dos docentes, sem ultrapassar o montante de recursos disponibilizado pelo governo. Os líderes do Andes são contra a proposta dos reitores, que beneficia mais professores com mestrado e doutorado. Os docentes das federais de Pernambuco (UFRPE e UFPE) tem visão diferente e já aceitaram a sugestão da Andifes.

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