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Governo quer pôr aliados em postos-chave da CPI dos cartões

Jucá, líder do governo, diz que base aliada tem maioria e poderia ocupar a presidência e a relatoria

Cida Fontes, de O Estado de S. Paulo,

07 de fevereiro de 2008 | 14h46

Depois de se antecipar à oposição e propor uma CPI apenas no Senado para apurar denúncias de uso indevido dos cartões corporativos, a próxima etapa do governo é indicar pessoas de sua confiança para ter o controle das investigações.  Veja também:  Entenda o que são os cartões corporativos do governo  Tucano inicia ofensiva pela CPI mista dos cartões Líder do governo protocola pedido de CPI dos cartões  Após denúncia, governo publica mudanças para cartões O líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), autor do requerimento de criação da CPI protocolado na última quarta-feira, disse que, como tem maioria, a base aliada poderia ocupar os postos mais importantes, ou seja, a relatoria e presidência. No entanto, ele admite fechar um acordo com a oposição para a definição dos dois nomes. "Defendo que seja partilhado", ressaltou o senador. Os 11 integrantes da CPI são indicados pelos líderes partidários e isso deverá acontecer na próxima semana. Como terá maioria, o governo poderá derrubar requerimentos da oposição ou abortar iniciativas que eventualmente deixem o Executivo na berlinda.  Para que as investigações não se limitem ao governo Lula, Jucá propôs que sejam feitas a partir de 1998, o que inclui a gestão de Fernando Henrique Cardoso. "O governo não vai apanhar calado nem ser bode expiatório", afirmou o líder. A estratégia de incluir o governo do PSDB foi decidida na manhã da última quarta durante reunião no Palácio do Planalto entre Jucá e os ministro de Relações Institucionais, José Múcio, e da Casa Civil, Dilma Rousseff, que depois telefonaram para o presidente Lula, que está descansando no Guarujá. Segundo Jucá, o aumento dos gastos com cartão em 2007 ocorreu por conta dos saques feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para realizar os censos agropecuários e das pequenas e médias cidades. Em seguida a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que teve mais gastos com os jogos pan-americanos. Ao tentar esvaziar a iniciativa da oposição, que já estava coletando assinaturas para criar uma CPI Mista, o governo espera também reduzir o impacto das denúncias envolvendo funcionários do Executivo. "Vamos levantar se houve abuso e distorção de gastos do setor público", observou o senador, lembrando que as despesas do presidente Lula e de seus filhos não podem ser investigadas. "Não vamos aceitar exploração política com a CPI", afirmou, deixando claro que o governo vai controlar o rumo das investigações. A CPI destinada a apurar irregularidades das ONGs por exemplo está monitorada pelo governo, que tem maioria na comissão, e as investigações estão praticamente paralisadas.

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