Governo quer estimular volta de brasileiros que estão no exterior

O governo brasileiro está estudando uma Operação Retorno que possibilite a volta ao País de parte dos três milhões de brasileiros que vivem no exterior. A informação é do secretário Nacional dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que está em Genebra e vem se reunindo com comunidades de brasileiros no exterior.O governo avalia a possibilidade de dar incentivos a quem quiser voltar. Entre eles, facilitar pequenos investimentos por parte desses brasileiros, que retornariam ao País com o que conseguiram poupar no exterior, e financiar moradias. Estados Unidos e Japão seriam dois dos principais objetivos do programa. "O Brasil, que era um País que recebia imigrantes, acabou se tornando gerador de imigrantes", afirma o secretário, destacando que a maioria saiu nos anos 80 e parte dos 90.Além da Operação Retorno, o governo planeja fazer reformas para facilitar e baratear o envio de dinheiro pelos brasileiros no exterior às famílias que ficaram no País. Apenas dos brasileiros no Japão o Brasil recebe US$ 2,5 bilhões por ano, volume superior a toda a exportação de café do País. Os bancos chegam a competir pelo dinheiro e alguns, como o Banco do Brasil, contam com várias agências espalhadas pelo Japão.Para que a operação dê resultado, pessoas que trabalham com a questão da imigração consideram essencial garantir outros direitos. Para o diretor-superintendente do Centro de Informação e Apoio ao Trabalhador no Exterior (Ciate), Akihiko Tanaka, com sede em São Paulo, cortar impostos é importante, mas há outros problemas urgentes a resolver. Um dos principais é a falta de emprego no Brasil.Também são obstáculos a ausência de seguro social a brasileiros que vivem há vários anos no Japão e a burocracia jurídica. Outra dificuldade é a diferença de salários. O brasileiro Leandro Kuroda Granado, de 19 anos, por exemplo, recebeu nos meses em que viveu em Hamamatsu, no Japão, um salário sete vezes maior que o que tinha em Joanópolis (SP), sua cidade natal.Em agosto de 2001, ele voltou para visitar o filho recém-nascido, mas pretende daqui a um mês ir novamente trabalhar no exterior. "Acho difícil essa operação do governo dar certo, porque no Japão muitos brasileiros vivem bem melhor do que aqui. A única coisa ruim é a saudade." Com exceção do irmão mais velho, toda a família de Leandro vive no Japão desde fevereiro de 2001.

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