Governo quer encurtar discussão da CPMF na Câmara

Os líderes dos partidos da base aliada foram orientados a encurtarem ao máximo o prazo de discussão da proposta de prorrogação da cobrança da CPMF na Câmara para que o governo tenha um maior prazo para discussão da medida no Senado, onde a maioria governista é mais frágil. A estratégia foi definida ontem, durante jantar do ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, com os presidentes e líderes de partidos da base aliada, na residência do presidente do PMDB, Michel Temer. Walfrido também fez um apelo para apressar a votação, no Senado, do projeto de lei complementar que legaliza o troca-troca partidário até 30 de setembro. Esse é o prazo que o governo trabalha para concluir a operação de sedução de pelo menos mais quatro senadores da oposição, que deixariam seus partidos para ingressar em uma legenda da base governista. Com isso, reduziria o risco de enfrentar uma derrota na votação da CPMF no Senado. Otimista, Walfrido calcula que se essa operação for bem sucedida, poderá elevar em até mais seis votos a base governista no Senado. Ele informou aos líderes e presidentes dos partidos que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o secretário de política econômica, Bernard Appy, e o secretário da Receita, Jorge Rachid, participarão da reunião de amanhã do Conselho Político. A equipe do ministério da Fazenda explicará o projeto de reforma tributária que o governo encaminhará ao Congresso, em setembro, mesmo período em que estará em discussão a prorrogação da CPMF. "O governo quer evitar a todo custo que a oposição consiga reduzir a alíquota da contribuição dos atuais 0,38% para os 0,20%", comentou Walfrido. O Planalto quer reforçar junto aos líderes que a posição do governo é impedir mudanças na emenda que prorroga a CPMF e garantir que as concessões aos estados e municípios estarão contempladas no projeto de reforma tributária, e não por meio da CPMF. A oposição defende que parte da arrecadação da contribuição seja direcionada aos estados e municípios. O anfitrião do encontro, o presidente do PMDB, Michel Temer (PMDB-SP), disse que o convite para essa jantar foi um pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na expectativa de harmonizar os partidos da base aliada na disputa municipal do próximo ano. Com essa iniciativa, o governo se aproxima dos partidos da base aliada, garante que estados e municípios terão compensações financeiras e espera como resultado a formalização de uma aliança preferencial entre os partidos governistas nas capitais e grandes cidades. O objetivo é evitar parcerias com a oposição.

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