Governo quer concluir Ministério logo, diz Tarso a Temer

O ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, afirmou ao presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), que a intenção do governo é concluir a reforma ministerial o mais breve possível. O ministro garantiu ao deputado que não há vinculação entre a reforma da equipe e a convenção nacional marcada para 11 de março, quando o PMDB deverá eleger seu novo presidente. Advertiu, no entanto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está enfrentando problemas para compor os aliados e fechar o xadrez da reforma. Tarso chamou Temer ao Planalto nesta segunda, temeroso de que a demora na escolha dos novos ministros dificulte a relação do governo com a bancada do PMDB na Câmara, que tem pressa em definir sua cota de poder. Relato de Temer a um dirigente peemedebista dá conta de que, na conversa, Tarso sinalizou que o PMDB deverá ganhar mais dois ministérios: Saúde e Integração. Mas o ministro aproveitou o encontro para pedir ao presidente do partido que ajude o governo e veja se a bancada de deputados pode apadrinhar a indicação do médico José Gomes Temporão para comandar a Saúde. Temer deixou claro que a indicação de Temporão enfrenta resistências, mas prometeu ouvir os 89 deputados peemedebistas e fazer um relato ao ministro. O nome do médico carioca foi sugerido pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), mas a cúpula peemedebista na Câmara foi informada de que a iniciativa teria partido do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que o governador agira a seu pedido. O episódio irritou especialmente a bancada fluminense, mas o mal estar foi geral. A expectativa dos deputados era a de apontar o nome do ministro, e não de encampar uma escolha de Lula. Em conversas reservadas, líderes peemedebistas das várias regiões deixaram claro que não se sentem contemplados e que a solução não implica compromisso com o governo na hora de votar medidas impopulares. Sugeriram ao presidente a alternativa de nomear Temporão secretário-executivo e deixar que a própria bancada escolha o ministro ou aponte sua lista de sugestões, ainda que seguindo o figurino determinado pelo próprio Lula. Sucessão No encontro desta segunda, Tarso perguntou a Temer se a disputa pela presidência do PMDB, em que ele enfrentará o ex-deputado Nelson Jobim, poderia atrapalhar relação do partido com o governo e prejudicar a coalizão. Àquela altura, Temer já havia sido informado de que Lula e Jobim tiveram uma conversa reservada no fim de semana. Em seu estilo cauteloso, fez questão de registrar que, se ministérios atuarem em favor de seu adversário na disputa partidária, aí sim haverá prejuízos ao governo. Aliados de Temer na sucessão interna acusam os ministros das Comunicações, senador Hélio Costa (MG), e das Minas e Energia, Silas Rondeau, de trabalharem nos bastidores em favor de Jobim, assim como governadores do partido que estariam atuando a pedido de Lula. Lembram que Hélio Costa é amigo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e que Rondeau foi indicado pelo senador José Sarney (PMDB-AP) e identificam a dupla de senadores como os mais fortes cabos eleitorais de Jobim na convenção peemedebista. Preferência por Jobim Até agora discreto na disputa, Renan assumiu nesta segunda-feira sua preferência por Jobim, e começou uma campanha pública em favor do adversário de Temer. "Jobim não é candidato de grupo nenhum, está acima de grupos, tem indiscutíveis qualidades, reúne muitas correntes e tem o apoio da maioria dos governadores", disse Renan. "É do que o PMDB precisa; de alguém que some correntes e una esforços", completou o senador, para concluir: "Matematicamente, Jobim tem muita chance de ganhar a convenção". Sinalizou que o PMDB teria dois ministérios: Saúde e Integração. Pediu para ver se a bancada pode apadrinhar o Temporão. Temer ouviu disse que tem resistências na bancada. Prometeu ouvir deputados, ouvir a bancada e fazer um relato a ele.

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