Governo quer combater proliferação da aids nas fronteiras

Para combater a proliferação da aids nas fronteiras, o Ministério da Saúde e a organização não-governamental Population Council vão realizar um trabalho de prevenção em três cidades brasileiras: Foz do Iguaçu (PR), Uruguaiana (RS) e Corumbá (MS). Hoje representantes do governo, da ong e de cidades de fronteira se reuniram em Brasília para definir estratégias da ação, prevista para começar no segundo semestre.As diretrizes foram discutidas com base em uma pesquisa qualitativa realizada pela Population Council naqueles três municípios e em outras três cidades de fronteira - Tabatinga (AM), Oiapoque (AP) e Guarajá-Mirim (RO). No estudo, constatou-se que a tarefa mais urgente é disseminar, junto à população que vive e transita nas fronteiras, a idéia de que é necessário se prevenir contra a doença. "Muitas vezes, a pessoa gasta R$ 1 para tomar uma cerveja, mas não pensa em gastar a mesma quantia para comprar um preservativo", diz o diretor da Population Council no Brasil, Juan Diaz. "É preciso mudar essa mentalidade."Diaz explica que é importante combater a aids na fronteira por causa do grande fluxo de pessoas em trânsito para outras regiões do País. Os caminhoneiros são um exemplo. "Se um camionhoneiro se contamina, ele acaba levando a doença para outros lugares", diz. Além disso, as características sócio-econômicas dessas regiões - que atraem pessoas marginalizadas, de baixíssimo poder aquisitivo, ou que praticam atividades ilegais, como o tráfico de drogas e a prostituição -, favorecem a disseminação do HIV. Outro problema é a alta rotatividade de médicos e outros profissionais de saúde nas fronteiras. Daí a necessidade de se treinar a população local para atuar como agentes de prevenção.As estatísticas confirmam que, de fato, os índices de contaminação tendem a ser maiores em cidades de fronteira: enquanto no Brasil a taxa de contaminação de mulheres grávidas é 0,5 por grupo de 10 mil pessoas, em Foz do Iguaçu chega a 2,75. Em Uruguaiana, é ainda maior, 3 por 10 mil.Mas paralelamente ao trabalho educativo de prevenção, é preciso ampliar significativamente a oferta de preservativos nessas regiões. "O acesso tem de ser fácil", resume Diaz. Em Uruguaiana e em Foz do Iguaçu os caminhoneiros serão o público-alvo do programa. Já em Corumbá, o foco das ações se concentrará nas prostitutas.O assessor técnico do Unidade de Prevenção da Coordenação de DST/Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito, considera fundamental atuar nas fronteiras a fim de manter a epidemia sob controle no Brasil. Na avaliação dele, é preciso começar, o quanto antes, uma série de ações envolvendo inclusive os países que fazem fronteira com o Brasil. "Com o agravamento da situação social da Argentina, por exemplo, existe o risco de aumento da procura pelos serviços médicos brasileiros. Por isso, é preciso uma ação conjunta."Brito conta que atualmente moradores de países vizinhos são atendidos nas unidades de saúde nas cidades fronteiriças e recebem o coquetel anti-HIV. "Não fazemos discriminação, atendemos todo mundo. Mas é importante que os outros governos também se mobilizem", diz. Esse tipo de trabalho já está sendo realizado em outras partes do mundo, como na fronteira entre Alemanha e Polônia.

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