Governo quer aumentar sigilo de gastos com segurança de Lula

Decisão foi tomada após a divulgação, na imprensa, dos gastos da presidência em São Bernardo e Florianópolis

REUTERS

06 de fevereiro de 2008 | 19h50

O governo pretende ampliar a relação de gastos considerados sigilosos, pagos com seu cartão corporativo, e que não podem ser divulgados em detalhes ao público para evitar prejuízos à segurança do presidente. A decisão, anunciada nesta quarta-feira por ministros do governo, foi tomada após a divulgação, na imprensa, da relação de gastos de seguranças da presidência em São Bernardo do Campo e Florianópolis, cidades onde residem parentes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.   Veja também:    Entenda o que são os cartões corporativos do governo  Dilma defende cartões e sigilo nos gastos da segurança de Lula   Líder do governo protocola pedido de CPI dos cartões  Suplicy defende que CPI apure gastos secretos da Presidência  Após denúncia, governo publica mudanças para cartões  Congresso volta ao com CPI na mira e sete MPs na pauta  Lula nomeia secretário-adjunto para lugar de Matilde  'CPI vai investigar desde 2001', diz Carlos Sampaio   O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Félix, afirmou que a divulgação de determinadas informações sobre os gastos facilitam deduzir, por exemplo, o número aproximado de funcionários que trabalham na segurança do presidente, vice-presidente e familiares, o que não seria desejável. "Nós estamos avaliando as informações que, no nosso entender, trouxeram algum tipo de prejuízo à segurança do presidente da República e das demais pessoas", afirmou Félix a jornalistas. "Essas informações não estarão mais presentes no portal da transparência", acrescentou, em referência a site do governo na Internet onde são divulgados gastos públicos. Félix disse que o desafio do governo é buscar um "ponto de equilíbrio" entre a transparência e a segurança. "Quanto menor a transparência, maior o grau de segurança." Os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social), que também participaram da entrevista, defenderam com veemência o uso do cartão de pagamento, com o argumento de que ele seria o instrumento mais transparente para cobrir despesas públicas. "O governo está absolutamente tranquilo em relação ao uso do cartão", afirmou Martins. "Seria um retrocesso abandonarmos um sistema que é transparente em nome de uma coisa que não se sabe o que é." Dilma frisou que os cartões não podem ser usados para gastos pessoais. Gastos irregulares com o cartão do governo federal derrubaram a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, na sexta-feira passada. (Por Isabel Versiani, Edição de Mair Pena Neto)

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