Governo quer aumentar o preço do cigarro

O Ministério da Saúde quer aumentar o preço do cigarro brasileiro e usar a receita com a arrecadação dos impostos para combater o contrabando e tratar das vítimas do tabagismo. Hoje, o cigarro vendido no Brasil é o sexto mais barato do mundo.O ministro Humberto Costa disse hoje que vai tratar da questão com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e estudar se a medida tem amparo legal. "Isso já existe em outros países. Queremos dificultar o acesso ao cigarro", afirmou Costa, que participou de encontro que reuniu, no Rio, especialistas em tabagismo do Brasil e de nove países de língua portuguesa. No ranking dos cigarros mais baratos do mundo, estão na frente do Brasil: Taiwan, Indonésia, Rússia, Espanha e Argentina. Segundo a diretora do Programa de Controle de Tabagismo da Organização Mundial de Saúde (OMS), Vera Luiza da Costa e Silva, a experiência mundial mostra que o aumento no preço dos cigarros se reflete na imediata redução da quantidade de fumantes. No entanto, faz crescer o contrabando.O ministro da Saúde lembrou os avanços na legislação antitabagista alcançados na gestão do ex-ministro José Serra - como a restrição à propaganda de cigarros e a impressão de mensagens de alerta nos maços - e disse que o atual governo irá além. "Queremos discutir a questão da produção e da distribuição do tabaco no Brasil e debater sobre os custos das doenças decorrentes do fumo", explicou.As campanhas que vêm sendo desenvolvidas no País têm dado resultados práticos. Segundo a coordenadora do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, Tânia Cavalcanti, a pesquisa nacional sobre o fumo, que será concluída em 2004, deverá mostrar que a quantidade de fumantes diminuiu, graças ao esforço do Ministério da Saúde nos últimos anos. Segundo ela, os números fechados em 2001 no Estado do Rio indicaram queda da prevalência de fumantes da população. Em 1989, 30% dos fluminenses fumavam; em 2001, 21%. A taxa baixou também entre os jovens entre 15 e 19 anos, de 14% para 10%. O volume de cigarros per capita diminuiu 32% no período.

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