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Governo quer alterar programa de combate à tuberculose

Duramente criticado pela Organização Mundial da Saúde, o programa brasileiro de combate à tuberculose deverá ser alterado no próximo mês. Os números hoje exibidos não são nada animadores. O Brasil é o 15.º país do mundo em casos anuais da doença. Em 2001, foram 111 mil infectados. Além da grande infecção, o País convive com uma taxa alta de abandono do tratamento: 15% dos pacientes. Para tentar reverter o problema, a Secretaria de Vigilância em Saúde, recém-criada pelo Ministério da Saúde, pretende oferecer vale-transporte aos pacientes de baixa renda. Além disso, vai incluí-los no Programa Bolsa-Alimentação. A idéia é que o benefício seja concedido durante o tratamento e seis meses depois da cura da doença. "Estamos ainda estudando os prazos. Mas o certo é que vamos estender o benefício depois de um período de cura, para não desestimular o paciente a fazer o tratamento correto", adianta o secretário Jarbas Barbosa. O secretário afirma que grande número dos pacientes apresenta outros problemas associados, como alcoolismo. "O auxílio seria uma ferramenta para tentar tirar o paciente da situação de abandono."Funções da secretariaAté assumir a secretaria, Barbosa dirigia o Centro Nacional de Epidemiologia da Funasa. Com a nova estrutura, o órgão vai concentrar o combate e o controle de doenças transmissíveis. Além de abrigar programas considerados referência mundial, como o de aids e o da vacinação, a secretaria assumirá áreas com graves problemas de atuação, como o combate à tuberculose e à hanseníase. "Nos últimos anos, o programa de tuberculose passou por quatro secretarias diferentes. Não podemos encarar esse trabalho como uma atividade de emergência. É preciso um programa sustentável, que não saia da agenda de saúde."Primeiro lugarNo caso da hanseníase, a situação também é crítica. Embora o Ministério da Saúde tenha assumido o compromisso para reduzir a doença para 1 caso a cada 10 mil habitantes até 2005, o País hoje ocupa o 1.º lugar no ranking de prevalência da doença, superando os números da Índia. Barbosa discorda dos métodos usados para fazer o ranking.Ao mesmo tempo, o secretário assume que o índice exibido atualmente pelo Brasil é vergonhoso. Em alguns Estados, são registrados 9 casos para 10 mil habitantes. "Somos incomparavelmente melhores que a Índia, mas não há como negar que a hanseníase é um problema que nos envergonha." Barbosa atribui o mau desempenho no combate às duas doenças em parte ao atendimento deficiente na rede básica de saúde. Principalmente em grandes centros urbanos. "Poucos são os agentes que vão até grandes aglomerados para verificar a presença de doenças como hanseníase ou tuberculose." Para corrigir essa falha, Barbosa pretende acelerar o diagnóstico e melhorar a capacitação de integrantes do Programa de Saúde da Família. Para acelerar a detecção de tuberculose, por exemplo, Barbosa espera ampliar o número de exames de 800 mil para 3 milhões por ano.

Agencia Estado,

20 de julho de 2003 | 18h54

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