Governo prossegue ofensiva para barrar CPI

O governo prossegue hoje em sua ofensiva para impedir a instalação da CPI da Corrupção, cujo requerimento com assinaturas de deputados e senadores foi entregue formalmente ontem à Mesa do Congresso. Para reverter o movimento pró-CPI e conseguir convencer aliados seus a retirar as assinaturas do requerimento, o governo tem agora o reforço dos ministros que, por determinação do presidente Fernando Henrique Cardoso, devem atuar junto aos deputados e senadores para colocar em prática a estratégia do Palácio do Planalto. Os líderes governistas precisam convencer pelo menos 11 deputados a retirar suas assinaturas, já que até ontem à noite 181 assinaturas do requerimento haviam sido consideradas válidas pelos funcionários que estão fazendo a conferência na Câmara. A ofensiva dos governistas foi iniciada ontem. O deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) ficou responsável por tentar convencer a mudarem de posição os integrantes da bancada carlista (adeptos do senador Antonio Carlos Magalhães) que assinaram o requerimento. Outros deputados, como o ministro licenciado do Trabalho Francisco Dornelles (PPB-RJ), estão encarregados de fazer o mesmo em suas bancadas. Em último caso, os governistas terão o recurso de promover o retorno de cinco deputados titulares cujos suplentes assinaram o requerimento da CPI. Mas a oposição poderá surpreender o governo, apresentando na próxima semana novas adesões de parlamentares ao requerimento, durante a sessão do Congresso que deverá ser marcada para definir a criação da CPI. Barbalho decide leituraA leitura do requerimento de instalação da CPI da Corrupção só pode ocorrer em sessão conjunta do Congresso e, portanto, depende de decisão exclusiva do presidente do Senado, senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Uma reunião com líderes do Governo, ontem à noite, deu a Jader o argumento para realizar a sessão do Congresso só na próxima semana. Para convocar uma sessão extraordinária com antecedência inferior a 24 horas, o presidente do Senado - que preside também o Congresso (reunião de Câmara e Senado) - teria que ter o apoio dos líderes partidários. Os líderes governistas já informaram que são contrários. Assim, a reunião só poderia ocorrer amanhã, o que, na prática, seria inviável, por conta do esvaziamento natural do Congresso no final da semana. Presidência do PMDBParalelamente às pressões dos partidos de oposição para que não obstrua a tramitação do requerimento, o presidente do Senado, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), estará às voltas, nesta quinta-feira, com problemas domésticos. Pressionado por partidários do PMDB, sobretudo pela bancada goiana e pelo governador Itamar Franco (MG), Jader antecipou que definirá hoje a forma pela qual se afastará da presidência do partido. A proposta do grupo de Jader, que detém o controle atual do PMDB, é a renúncia da maioria dos integrantes da Executiva, provocando, dessa forma, a antecipação da convenção nacional - inicialmente marcada para setembro - e a eleição de um novo comando partidário. O plenário do Senado, por sua vez, deverá apreciar hoje matérias importantes. Destaque para a votação, em segundo turno, de proposta de emenda constitucional (PEC) que pretende acabar com a chamada guerra fiscal entre os Estados. A proposta, do senador Waldeck Ornelas (PFL-B), prevê que caberá ao Senado definir em uma resolução as condições para que um Estado possa conceder incentivo fiscal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.