Governo promete 12 bases para vigiar fronteiras

Por enquanto, três locais estão definidos; o primeiro novo posto de policiamento será no Rio Grande do Sul

Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

O governo federal vai criar 12 bases de policiamento de fronteiras no País, unindo as Polícias Federal e Rodoviária Federal e as Polícias Militar e Civil de cada Estado. Para envolver as forças locais no policiamento, o Ministério da Justiça pagará uma bolsa para cada policial que concordar em servir nessas regiões. Com 16.800 quilômetros de fronteiras com nove países diferentes na América do Sul, o Brasil tem nessas regiões alguns dos seus pontos mais violentos. Do roubo de gado ao contrabando, tráfico de drogas e armas e até imigração ilegal, tudo passa pelas fronteiras brasileiras.A intenção do ministério é a de que os postos unam a capacidade das polícias locais e das federais, que passariam a trabalhar como um grupo único nessas regiões. Para participar, os policiais civis e militares terão de ser indicados ao governo federal. A partir daí, uma investigação será feita nos antecedentes do policial que, se aprovado, será deslocado para o posto e receberá um adicional salarial pago pela União. "Existe muita dificuldade de deslocar policiais para essas regiões porque eles não têm benefício nenhum. Eles recebem a mesma coisa para trabalhar na capital ou ir para uma cidade pequena de fronteira, muitas vezes sem nenhuma infraestrutura de trabalho. Daí a necessidade desse adicional", diz o secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto. O valor do adicional ainda não está definido. No entanto, poderá ser semelhante à bolsa que o ministério já paga para formação de policiais, que está hoje em R$ 400. Além de passar por uma investigação, o candidato também terá constantes cursos de aperfeiçoamento. Por enquanto, apenas três locais para as novas bases estão definidos. A primeira delas é no Rio Grande do Sul, provavelmente em São Borja, além de uma central de inteligência em Bagé. Isso porque o ministério está fazendo convênios com as prefeituras. O primeiro passo foi dotar os municípios de uma infraestrutura mínima. Foram doados carros, rádios, computadores para as unidades policiais. "Aquela região tem um problema sério de roubo de gado que alimenta redes clandestinas de abate", explica. A segunda base já em andamento é em Foz do Iguaçu. A tríplice fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai é uma das regiões mais violentas do País, com altos índices de homicídio e um histórico de tráfico de drogas, de armas e contrabando. "É uma área que tem atuação de máfias libanesa, coreana e chinesa, uma situação muito complexa", diz Barreto. A terceira base já planejada deverá ficar em Brasileia, Acre, próximo às fronteiras com o Peru e a Bolívia, em meio à Amazônia Legal. "Ali o problema maior são os crimes ambientais. Desmatamento, contrabando e venda ilegal de madeira, plantas e animais", afirma. Outros nove postos estão sendo planejados. A intenção do ministério é cobrir todos os 11 Estados com fronteiras internacionais, sendo que o Amazonas, por ter uma área muito extensa, poderá ter dois. Cada posto deverá custar R$ 4 milhões - um total de R$ 48 milhões, sem contar o valor que deverá ser reservado para o pagamento adicional de policiais civis e militares. "Os recursos não são uma preocupação, o ministério tem dinheiro. O orçamento aprovado para o Pronasci em 2010 é de R$ 1,4 bilhão", disse Barreto.

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