Governo procura CNBB em busca de reconhecimento

O secretário-geral da Presidência, ministro Arthur Virgílio Neto (PSDB), deu um passo importante nesta quinta-feira na ofensiva do Palácio do Planalto para tentar obter, de setores da sociedade reconhecidos como redutos tradicionais da oposição, o apoio e o reconhecimento dos avanços do governo. Dois dias depois de visitar a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Virgílio visitou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) logo cedo. Virgílio aproveitou a oportunidade para falar das denúncias de espionagem levantadas pelo PFL da candidata à Presidência e governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e fez aí a defesa do governo. Mas o motivo maior da visita foi levar ao presidente da instituição, dom Jaime Chemello, o interesse do governo em prestar contas e ouvir sugestões da Igreja. Tanto, que se fez acompanhar de representantes da bancada católica na Câmara: deputados Osmânio Pereira (MG), Salvador Zimbaldi (SP) e o Padre José Linhares (CE)."Venho em busca da aproximação efetiva desta entidade que é de fundamental importância para a sociedade brasileira", disse o ministro na chegada. "Quero discutir a agenda do governo com a CNBB, seja para concordar ou discordar do nosso trabalho, mas sempre de forma fraterna e solidária", completou. Como gesto concreto desta primeira aproximação, Virgílio comprometeu-se a apressar o estatuto do índio, promessa recebida com entusiasmo por dom Jaime. "Vou lhe procurar, ministro. Estou aberto ao diálogo", respondeu o bispo. Ressalvou, porém, que assim como o governo tem liberdade para estabelecer seus critérios, também a CNBB ficará à vontade para seguir os princípios da Igreja. Virgílio insistiu que sua visita tinha o objetivo não só de levar os dados das políticas do governo, mas também de ouvir as críticas da CNBB como uma maneira de ajudar na campanha da fraternidade. Assim como fizera em sua passagem pela OAB, o ministro levou os resultados do trabalho da Comissão da Anistia, presidida por Petrônio Calmon. Lembrou que são 7 mil processos em exame, para levar os benefícios da anistia política àqueles que ainda não foram atingidos pela lei de 1979. Na lista destas pendências está a mãe do ministro Arthur Virgílio, dona Isabel de 86 anos, viúva de Arthur Virgílio Filho, cassado em 7 de fevereiro de 1969, junto com outros deputados como Mário Covas.

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