Governo prepara terreno para investimentos privados em energia

O presidente Fernando Henrique Cardoso apresentará na próxima quinta-feira um cardápio de opções de novos investimentos para o aumento da oferta de energia no País. FHC quer dar um choque de oferta de energia criando um ambiente de aumento dos investimentos privados e públicos.A proposta, que será finalizada nos próximos dias no seus detalhes, prevê a listagem de um conjunto de obras que, preferencialmente, serão induzidas ao financiamento privado. No entanto, o governo garante que onde não houver interesse privado, estará presente o dinheiro público para administrar novas obras, sejam na área de geração ou de transmissão de energia.Os empresários conhecerão o mapa das regiões onde deverá ser implantado um cronograma de obras de curto, médio e longo prazos. No caso de obras consideradas prioritárias, se não houver interesse da iniciativa privada, o governo assumirá os investimentos. O cardápio de opções incluirá, da mesma forma, alternativas diferenciadas de financiamento: dinheiro do Tesouro e do BNDES. No anúncio das medidas para elevação da oferta de energia, o presidente sinalizará as oportunidades de investimentos também por parte de organismos multilaterais de crédito, como o BID ou Bird.Após praticamente um mês de racionamento, o governo não considera que seja o caso de comemorar os considerados "excelentes resultados" obtidos, mas não esconde a satisfação de já não estar diante dacatástrofe que se prenunciou na reunião do Conselho Nacional de Política Energética, em maio. "Há a expectativa de que foi possível atingir um resultado muito próximo da meta", admitiu uma fonte.O governo, além disso, tem dados de que houve uma preservação do nível da água nos reservatórios acima das estimativas. Respirar aliviado durante o mês de julho, com a garantia de que o País atravessará os próximos 30 dias sem o risco do apagão, não desestimula novas medidas. Um dos exemplos é a decisão de se reduzir a carga de tensão, adotada esta semana.Essa atitude não invalida, no entanto, opções que no momento estão descartadas, como o feriadão. Trata-se de uma proposta de difícil implementação - feriado no Nordeste é sinônimo de aumento de gastode energia, devido à vocação turística da região -, que não conta com a simpatia do setor produtivo. Os estudos consideram essa proposta "uma alternativa complementar", da qual o governo só deve lançar mão "em último caso".

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