Governo prepara estoques para enfrentar seca no Nordeste

O governo já prepara a formação de estoques de alimentos para distribuição na região do semi-árido nordestino, no período de setembro e outubro deste ano, disse hoje o ministro extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, José Graziano, durante o seminário O Papel da Iniciativa Privada no Combate à Fome, que acontece em São Paulo. "Pelas previsões climatológicas, a seca desse ano será igual à de dois anos atrás, muito brava. Queremos evitar o triste fenômeno de saques e distribuição de cestas básicas nos meses de setembro e outubro", afirmou. De acordo com Graziano, o governo tem trabalhado fortemente para implementar simultaneamente ao programa Fome Zero a construção de 1 milhão de cisternas, para produção de agricultura familiar e criação de animais. "Queremos dar o peixe e ensinar a pescar simultaneamente", afirmou, ao comentar, em seguida, que com a entrega das primeiras 10 mil cisternas este ano, parte da população da região poderá enfrentar o período de seca com menos dificuldades. Graziano avaliou ainda que o programa Fome Zero começa a colher seus primeiros resultados com a produção de uma safra recorde de feijão na cidade de Guariba (PI). "Os especuladores começaram a agir em Guariba e o preço da saca do feijão caiu de R$ 60 para R$ 30. Anunciamos que vamos comprar a produção dos agricultores e no mesmo momento a saca voltou a R$ 60. Vamos adquirir esse feijão e reutilizá-lo em setembro e outubro para distribuição para as famílias", explicou. O ministro comentou também que o governo termina essa semana o primeiro programa de alfabetização de 600 pessoas que receberam o cartão de alimentação do Fome Zero. "Essas 600 pessoas receberão sua ´carta de alforria´ em maio, o que, junto com as cisternas, libera a população da indústria da seca, que perpetua o atraso na região", garantiu. No seu discurso, o ministro pediu para que os empresários presentes no encontro participem do Fome Zero e admitiu que se a velocidade da implementação do programa está abaixo da expectativa inicial, isso decorre do fato de a interlocução da sua pasta com outros ministérios, estados, prefeituras e sociedade civil demandar de tempo por conta das burocracias e institucionalização do programa de segurança alimentar.

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