Governo pratica clientelismo ao liberar verbas à base, diz Freire

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (PE), acusou o governo federal de manter uma relação "no mínimo clientelista" com parte da base aliada para tentar conter a crise política, ao liberar verbas para emendas de parlamentares e nomear novos cargos para a administração pública. "Essa é uma prática que traz mais problemas do que soluções", disse Freire.Segundo ele, o governo erra ao fazer a liberação de recursos para emendas que, embora importantes, não são prioritárias para o País neste momento. "Deveríamos direcionar esses recursos para investimentos em infra-estrutura para escoamento da produção, algo muito mais importante para o País atualmente", afirmou. Na análise do parlamentar, tal prática do governo Lula é mais grave do que feita pelo governo Fernando Henrique Cardoso porque resultou na manutenção e fortalecimento de algumas oligarquias do País. "Não diria apenas nomes como José Sarney, Antonio Carlos Magalhães e Jader Barbalho porque isso significaria minorizar uma estrutura oligárquica muito maior do que apenas esses nomes", afirmou. O presidente do PPS estendeu suas críticas também ao campo econômico, lembrando que desde junho do ano passado, "quando o governo estava no auge da sua popularidade", ele já alertava para a necessidade de mudança da condução da política econômica. "Não somos como esse grupo que surge agora (referindo-se à base aliada) para tirar proveito de uma situação desfavorável e criticar a política econômica. Lá atrás, já mostrávamos que o caminho estava equivocado", disse.Para Freire, o governo está "refém e prisioneiro" de uma política econômica que não estava em seu planejamento e que agora oscila conforme o humor do mercado financeiro. Freire disse que Lula não possui um plano de governo e que, por isso, assumiu parte da agenda deixada pelo seu antecessor na presidência. Segundo ele, o presidente e o próprio PT têm dificuldade de tomar algumas decisões. E que isso provoca a sensação na opinião pública de que o governo sofre certa paralisia. "Caberia ao presidente Lula decidir, definir o caminho, mesmo que fosse algo que eu pessoalmente não concordasse, mas que tivesse um caminho", explicou. Freire participa do XIV Congresso Nacional do PPS em São Paulo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.