Governo pode vetar correção do IR preocupado com inflação

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Arthur Virgílio, disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso deverá editar medida provisória com algum tipo de correção da tabela de Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) caso opte pelo veto do projeto que a corrige em 17,5%. Virgílio também acenou com a preocupação do governo de a correção proposta pela Câmara venha a trazer alguma pressão inflacionaria.Arthur Virgílio disse que o governo voltará a fazer cálculos do impacto da correção aprovada na Câmara, em vias de passar pelo Senado, para decidir pela sanção ou pelo veto do projeto. O ministro disse que há um prazo de 15 dias para o governo sancionar ou vetar a correção depois de aprovada pelo Senado e que a idéia é "esperar a poeira baixar e fazer os cálculos de maneira racional, de modo a verificar se a correção proposta pelo Congresso teria algum impacto inflacionário."O ministro disse que o veto é uma decisão legítima e que, caso seja essa a opção do governo, deve ser aceito pelo Congresso. "O Congresso tomou uma atitude com enorme liberdade, e o presidente também não cometerá nenhum gesto de traição se optar por algo que não seja exatamente o que o Congresso votou", afirmou. Quanto ao texto da medida provisória, Virgílio disse que o conteúdo ainda não está definido e caso e MP seja adotada, partirá da proposta do governo e poderá inclui r alterações negociadas com o Congresso. "Há possibilidade de sanção, se os cálculos forem assimiláveis, e há possibilidade de veto se, primeiro, os cálculos não forem assimiláveis, e, segundo, se prevalecer o entendimento de que não se deve abrir precedentes alterando a alíquota e, portanto, trazendo de volta a idéia de correção monetária quando se pode mexer na base de cálculo. Devemos deixar a poeira baixar e fazercálculos bem tranqüilos", acrescentou.

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