Governo pode cancelar campanha de prevenção contra aids

A tradicional campanha de prevenção do Ministério da Saúde para o Dia Mundial da Aids, que acontece todos os anos no dia 1º de dezembro, está ameaçada e pode não ocorrer. Em e-mails enviados às Secretarias de Saúde dos Estados na última sexta-feira, a Coordenação Nacional de Aids do ministério cancelou a distribuição de filmes, cartazes e folhetos com mensagens para lembrar o dia que marca a luta contra a doença no mundo todo.A decisão de não veicular uma campanha nacional este ano - pela primeira vez desde 1988 - seria do próprio ministro da Saúde, José Serra. Mas a assessoria de imprensa do ministro insiste que não houve mudança nos planos e que apenas a campanha está um pouco atrasada e ainda espera a decisão do ministro sobre que filme será veiculado na TV.O cancelamento, no entanto, foi confirmado pela assessoria de imprensa da Coordenação Nacional de Aids do ministério, pela Secretaria de Saúde de São Paulo e pelas ONGs que atuam no combate à doença. "Enviamos o e-mail (de cancelamento) porque temos problema de orçamento. A suplementação orçamentária para aids ainda não foi aprovada no Congresso. Então, não posso ordenar a execução de uma campanha se não tiver segurança financeira", disse o coordenador nacional de aids, Paulo Teixeira. A verba para a veiculação do filme, no entanto, teria sido garantida pelo ministro, segundo Teixeira.A reportagem da Agência Estado apurou que todo o material da campanha - avaliada em R$ 6 milhões - já estava quase pronto. O filme, que já teria sido escolhido, mostra um homem caindo de pára-quedas. O pára-quedas se transforma em uma camisinha e a seguinte mensagem é lida: "Não importa como ou com quem você transe, mas use camisinha". Um slogan destinado a homens que têm múltiplas parcerias - o grupo que hoje é considerado o maior responsável pela disseminação do vírus HIV (que causa a aids).Grupos ativistas criticam a decisão do ministério e afirmam que o motivo do cancelamento não seria a falta de dinheiro, mas a decisão do ministro de não criar polêmica com uma campanha de aids. "Acho que, como parece que não tem faltado dinheiro para publicidade no ministério, a decisão de não veicular essa campanha, que já estava pronta, só pode ser resultado de uma preocupação do ministro em não se expor em véspera de eleição", analisou Mário Scheffer, responsável pelo movimento de aids no Conselho Nacional de Aids. Segundo Scheffer, se essa realmente foi a razão que motivou a decisão de não veicular o filme, outra campanha também pode estar ameaçada - a que foi marcada para janeiro do ano que vem e pretende atingir homossexuais. Teixeira nega que esse tenha sido o motivo da mudança. "Nós achamos que essa não é uma campanha convencional, mas é coerente com a linha que o ministério tem pregado. E não é verdade que o ministro tenha vetado porque ele ainda não viu os filmes."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.