DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Governo perde apoio de dois partidos na Câmara

Os líderes do PDT e PTB disseram que a partir de agora seus posicionamentos serão decididos a cada votação

BERNARDO CARAM, DANIEL CARVALHO E VALMAR HUPSEL FILHO, O Estado de S. Paulo

05 de agosto de 2015 | 22h40

Brasília - Depois de sofrer derrota na abertura do segundo semestre legislativo, a base aliada do governo Dilma Roussef viu, em uma só noite, dois partidos, que juntos somam 44 parlamentares, declararem que deixarão de acompanhar automaticamente o governo nas votações. Os líderes do PDT e PTB disseram que a partir de agora seus posicionamentos serão decididos a cada votação.

Os dois partidos alegaram falta de diálogo e respeito do governo junto aos aliados para tomar a decisão. "A independência nossa é tomar as decisões por votação. Não temos alinhamento automático", disse o líder do PTB, Jovair Arantes (GO), que citou desrespeito por parte de ministros, sem citar nomes. "Não dá para deputado meu ligar para ministro e ele passar para assessor. Desrespeito com nossos deputados não vamos aceitar. Não somos agregados", disse.

O PTB tem 25 deputados e o ministro Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), que não foi informado da decisão. A escolha de Monteiro foi decisão pessoal da presidente Dilma Roussef e contou com o respaldo da bancada do partido.

O líder do PDT, André Figueiredo (CE) atribuiu ao líder do governo, José Guimarães (PT-CE) a mudança de postura da bancada. "Tomamos uma decisão porque estamos sendo, de forma recorrente, desrespeitados. O PDT está sendo chamado de infiel, traiçoeiro, quando o PDT é o único partido da base que se manifesta previamente como vai se portar nas votações".

O PDT tem 19 deputados e comanda o Ministério do Trabalho, com Manoel Dias. "Somos tachados pela liderança do governo de traidores. (O problema) é a liderança e o colégio de vice-líderes. A condução está equivocada. O governo está com dificuldade de diálogo dentro do parlamento", disse.

Figueiredo disse que "próximos passos serão naturalmente dados". Ele não descartou a possibilidade de o partido entregar o ministério que ocupa. Guimarães soube da decisão do PDT e reagiu com indignação as declarações de independência. "Esse negócio de independência, eu prefiro o rompimento", disse Guimarães, que se comprometeu a refazer a base intensificando o diálogo com líderes partidários e os ministros que representam suas legendas.

Desde a reabertura do semestre legislativo os líderes da base encontram dificuldade para controlar a rebeldia de seus liderados, que impuseram uma derrota ao governo na noite de terça-feira, com a rejeição de requerimento para adiar para o final do mês uma Proposta de Emenda à Constituição que impõe ao governo despesas de R$ 2,4 bilhões.

Nesta quarta-feira, o governo tentou durante todo o dia construir uma alternativa menos impactante as cofres da União, mas até o final da noite não havia conseguido consenso da Câmara.

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