Governo pede auditoria em contratos do PAC sob suspeita

Segundo CGU, força-tarefa vai se concentrar na análise de 268 obras

O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

Pressionada pela Operação João de Barro, da Polícia Federal, que descobriu desvio de verbas em obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a Casa Civil pediu ontem uma auditoria em todos os contratos de repasse para os municípios em que há suspeitas de irregularidades. A ministra Dilma Rousseff é a gerente do PAC.Segundo a Controladoria-Geral da União (CGU), o trabalho será realizado por uma força-tarefa de auditores e técnicos da Caixa Econômica Federal, órgão repassador do dinheiro dos contratos. O grupo se concentrará na análise de 268 contratos de obras de habitação e saneamento incluídos no PAC, somando R$ 2,036 bilhões.A CGU informou que alguns contratos já estão com as obras em andamento, mas na maioria dos casos elas ainda não foram licitadas. Em nota, acrescentou que a força-tarefa vai examinar a adequação técnica e de preços dos projetos, fazer um pente-fino nas licitações e, no caso das que já tiveram recursos liberados, verificar o andamento e a qualidade das obras.Com a PF, a CGU participa da Operação João de Barro desde o início, em junho de 2007. A partir de escutas telefônicas, fez um roteiro das liberações de recursos federais para os municípios fiscalizados na operação. Na sexta-feira, a PF desbaratou o esquema, montado por empresários e lobistas com a suposta participação de deputados, prefeitos e servidores. Foram destacados mil agentes para cumprir 38 mandados de prisão e 230 de busca em São Paulo, Minas, Rio, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Goiás, Tocantins e Distrito Federal. São alvo das investigações 119 prefeituras, a maior parte de Minas.No Congresso, a PF foi aos gabinetes dos deputados mineiros João Magalhães (PMDB) e Ademir Camilo (PDT). Eles são suspeitos de apresentar emendas ao Orçamento para prefeituras. Em troca, segundo as investigações, receberiam propina de 10% do valor das obras. Os dois negam irregularidades.Ontem, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que ainda não há elementos suficientes para a Casa investigar Magalhães e Camilo. "Até o presente momento não há elementos para levar o assunto à investigação na Corregedoria-Geral da Câmara."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.