Governo paulista pode ampliar geração de energia

O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, se reúne esta semana com o secretário de Energia do Ministério das Minas e Energia, Afonso Henriques. O objetivo do encontro, em São Paulo, é discutir a possibilidade de aumentar a geração de energia com o uso das usinas de Henry Borden e Ilha Solteira. "Não podemos mais contar com as chuvas e o lento processo de redução do armazenamento dos reservatórios já começou. Isso indica que é preciso reduzir o consumo. Estamos na iminência de ter um racionamento", disse Arce.O nível dos reservatórios, segundo o secretário paulista é de 34% da capacidade de armazenamento. É necessário chegar ao final do ano, após o período seco (de maio a novembro), com 10%, alerta Arce. Para se obter esse porcentual, é necessária uma redução de 15% no consumo, já que não haverá aumento da oferta. Arce lembra dados de 2000, quando, no mesmo período, foi registrada perda de 7% de armazenamento ao mês. "Se repetirmos o ano passado, chegamos a novembro com zero e aí, se esvaziar todo o reservatório, não vai dar para operar o sistema", afirmou.A plena utilização de Henry Borden, no entanto, só seria possível com o uso da água poluída do Rio Pinheiros, que seria bombeada para a represa Billings e depois para a usina. "A situação é de emergência, mas é preciso ouvir antes a avaliação da Procuradoria-Geral do Estado e das secretarias de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos", disse Arce. No caso de Ilha Solteira, seria necessário interromper a navegação no canal de Pereira Barreto para usar a água extra na usina. O transporte hidroviário seria feito por rodovias.Apesar das alternativas, Arce alerta para a necessidade de realizar uma campanha efetiva de redução de consumo. " Ou se faz a campanha e se tem sucesso, cortando pouco mais de 10% do consumo, ou não teremos alternativa ao racionamento", afirmou. Ele destaca também que a campanha deveria começar o mais cedo possível. "A cada dia que passa é maior a quantidade de consumo que eu tenho que interromper. Não é terrorismo, é falta de alternativa", disse. Mas, reconhece Arce, será difícil convencer a indústria, por exemplo, a adotar um plano voluntário de redução de consumo.

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