Governo pagará por vitória de Renan, ameaça líder da minoria

Demóstenes Torres diz que oposição vai obstruir votações enquanto o senador estiver no comando da Casa

NATUZA NERY, REUTERS

13 de setembro de 2007 | 15h56

A oposição não aceitou o veredito que absolveu Renan Calheiros (PMDB-AL) e está disposta a transformar o governo em seu refém no Senado caso o peemedebista continue à frente do cargo. Democratas e PSDB não conseguiram impor uma derrota ao presidente do Congresso e agora querem dar o troco no Palácio do Planalto. "Vamos obstruir as votações enquanto Renan estiver no comando e só votaremos o que considerarmos necessário aos interesses do país. Não votaremos nenhuma medida provisória ou projeto que conceda crédito para o governo, aumento das despesas públicas ou evolução de impostos", afirmou à Reuters o líder da minoria (DEM e PSDB), senador Demóstenes Torres (DEM-GO).   Veja também: Renan resiste a deixar presidência do Senado Contra Renan, oposição ameaça não votar CPMF Oposição ajudou a livrar Renan, afirma petista Para Lula, importante é o Senado voltar a funcionar Saiba tudo sobre o Caso Renan e dê sua opinião Um dos senadores mais críticos de Renan nos últimos meses, o parlamentar oposicionista garante que não haverá um milímetro de recuo enquanto as exigências das duas siglas não forem atendidas. "Vamos exigir a nomeação dos relatores dos processos contra ele no Conselho de Ética. Não vamos deixar que o caso se arraste e que o presidente da Casa manobre." Demóstenes avalia que Renan perdeu todas as condições de comandar a Casa. A aposta é de que, com as mãos atadas por conta da obstrução oposicionista, o presidente do Senado não tenha bons resultados para apresentar ao governo e acabe perdendo o apoio do Executivo à sua cruzada de se recuperar no cargo. "O governo quer a CPMF. Achamos que ela não é prioridade para o Brasil. Quero ver como o Renan vai ajudar a aprovar essa matéria", desafiou o democrata. Somadas, as bancadas de PSDB e DEM têm 30 dos 81 votos do Senado. Com apenas mais três apoios podem derrotar qualquer proposta de emenda constitucional na Casa. Ele e outros colegas atribuem o resultado da véspera (35 votos pela cassação, 40 pela absolvição e seis abstenções) ao PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, querem dar o troco, embora na véspera Demóstenes tenha admitido que o seu partido, o DEM, também pode ter contribuído para o placar. A votação e a sessão secretas foram apontadas como decisivas para a absolvição de Renan Calheiros. Apesar de, no passado recente, terem votado contra uma proposta de emenda constitucional estabelecendo voto e sessão abertos em casos de perda de mandato, tucanos e democratas mudaram de posição e devem apresentar uma nova PEC nesse sentido. Mas é difícil conseguir maioria qualificada em uma matéria tão polêmica. "Vamos exigir como prioridade a mudança no regimento interno do Senado e da Constituição para que as votações e as sessões de cassação de mandato sejam abertas", acrescentou.

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