Governo paga indenização por desapropriações

Fazendeiros da região do ‘marco zero’ receberam R$ 1,3 milhão

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h33

Dois fazendeiros da região do "marco zero", em Cabrobó e Floresta (PE), onde começaram as obras de transposição do Rio São Francisco, foram os primeiros a receber indenização pela desapropriação de seus imóveis. Antonio Simões de Almeida e Marizan Rodrigues da Silva receberam R$ 1.306.894,52 do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS). As terras estão em uma faixa de dois quilômetros na qual o Batalhão de Engenharia do Exército começou a construção dos canais do Eixo Norte da transposição, a partir de em Cabrobó. O Eixo Leste começa em Itaparica (BA).Na região, que foi invadida por 1.500 manifestantes contrários à transposição - apesar de a Justiça já ter determinado a reintegração de posse -, o Exército vai construir canais e estações de bombeamento que levarão a água do São Francisco para Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. O DNOCS, órgão do Ministério da Integração Nacional, informou que dispõe de cerca de R$ 59 milhões para indenizar os proprietários de terras que serão atingidos pelas obras. "Essas primeiras desapropriações são simbólicas, porque representam o fato de o Exército começar a atuar em uma área federal, de domínio da União", explicou o diretor-geral do órgão, Elias Fernandes.ConcorrênciaO próximo passo da obra, que recebe oposição de ONGs, da Igreja e de grupos étnicos, será a definição da concorrência dos 14 lotes do empreendimento - disputados por 76 construtoras, ao custo total de R$ 4,5 bilhões, em um prazo de três anos."Conforme a obra for avançando, vamos avaliando as áreas que serão cortadas por ela, desapropriando e indenizando os proprietários", disse Fernandes. As desapropriações começaram por Cabrobó porque é lá que se iniciam as obras da transposição, que o governo chama de Integração do São Francisco com as bacias do Nordeste Setentrional.Integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Roberto Malvezzi afirmou que os grupos contrários à transposição vão continuar demonstrando sua oposição à proposta, que dizem favorecer apenas a interesses econômicos, em detrimento do abastecimento de água."O governo não tem prestado atenção em propostas alternativas, como algumas que defendemos, entre as quais a construção de cisternas em todo o semi-árido, e um projeto da própria Agência Nacional de Águas (ANA), órgão governamental, bem mais barato e eficiente que a transposição", criticou. Segundo ele, os movimentos vão se organizar para discutir novas formas de se opor ao projeto.

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