Governo oferece segurança a STF após protestos

Teori foi alvo de manifestações em Brasília e em Porto Alegre, onde tem residência, após decidir tirar de Moro investigação sobre Lula

Gabriela Lara, Isadora Peron e Gustavo Aguiar, O Estado de S.Paulo

24 de março de 2016 | 09h04

Brasília - A decisão liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, de tirar do âmbito da Justiça Federal no Paraná as investigações relacionadas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez com que grupos contrários à medida promovessem protestos pontuais em Brasília e em Porto Alegre, cidade em que vive o magistrado. Com isso, o Ministério da Justiça ofereceu reforço na segurança institucional e pessoal de todos os ministros do STF. A pasta determinou que a Polícia Federal investigue possíveis “instigações e ameaças aos magistrados”.

“O Ministério da Justiça zelará para que o momento de tensão política não dê lugar a atos de violência e intolerância contra quem quer que seja”, diz a nota. A pasta afirma que a PF foi instruída a investigar tanto “manifestações públicas ao redor de suas residências como em redes sociais” contra os ministros do Supremo.

Na noite de anteontem, um grupo fez um protesto em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre. A manifestação ocorreu logo após o ministro determinar que Moro enviasse à Corte os processos que envolvem Lula. Na fachada do prédio, foram penduradas faixas com os dizeres “Teori traidor”, “Pelego do PT” e “Deixa o Moro trabalhar”.

Uma enxurrada de críticas e ofensas ao ministro também tomaram conta das redes sociais. Sob o mote #OcupaSTF, o cantor Lobão, defensor do impeachment da presidente Dilma Rousseff, chegou a divulgar em sua conta do Twitter o endereço do filho de Teori, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na Corte.

Protagonismo. O Supremo tem desempenhado papel central neste momento de crise política pelo qual passa o País. Caberá aos ministros da Corte, por exemplo, decidir se Lula pode ou não assumir a Casa Civil. Na sexta-feira, o ministro Gilmar Mendes suspendeu a nomeação do ex-presidente, mas o caso ainda terá de ser debatido em plenário.

O próprio Teori foi quem homologou e tornou pública a delação do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (ex-PT-MS), na qual o parlamentar afirmou que tanto Dilma quanto Lula estavam cientes dos desvios na Petrobrás e que também conhecia esquemas de corrupção envolvendo outros políticos, como o vice-presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) – todos negam as acusações.

Coube ao Supremo também definir o rito do impeachment, concluído na semana passada. Autor do voto que teve o apoio da maioria, o ministro Luís Roberto Barroso também foi alvo de críticas na internet. A avaliação dos que protestaram contra Barroso é de que as regras estabelecidas para a condução do processo de afastamento de Dilma beneficiariam o governo.

Segundo a assessoria de imprensa do Supremo, não houve nenhum pedido formal de reforço da segurança dos ministros por causa dos últimos episódios. Os integrantes da Corte já contam com esse tipo de serviço normalmente.

Mais barulho. O grupo que fez um protesto na noite de anteontem em frente ao prédio onde Teori tem apartamento, em Porto Alegre, afirma que o ato poderá se repetir nos próximos dias.

O ato foi organizado pela Banda Loka Liberal, grupo que é ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL) e costuma participar dos protestos contra Dilma no Rio Grande do Sul. Para animar as manifestações, a banda canta músicas pró-impeachment em ritmo de marchinha de carnaval e de torcida organizada.

No protesto em frente à casa de Teori, as canções defendiam a atuação de Moro e acusavam o ministro de ser “bolivariano”. / GABRIELA LARA, ISADORA PERON e GUSTAVO AGUIAR

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