Governo negocia com PMDB da Câmara nome para Ministério

Dilma reuniu ministros neste sábado para discutir corte de dez pastas, que deve ser anunciado até quarta, e atender partido aliado

O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 18h26

A presidente Dilma Rousseff reuniu neste sábado, 19, no Palácio da Alvorada, ministros para discutir o redesenho dos ministérios que deve ser anunciado até quarta-feira. Estavam entre os presentes os ministros Nelson Barbosa (Planejamento), Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Valdir Simão (Controladoria-Geral da União). A presidente espera, com a reforma administrativa, reduzir gastos de custeio da máquina federal e, ao mesmo tempo, sinalizar a mudança de postura do governo.

O PMDB negocia com o governo uma indicação ministerial que agrade à bancada do partido na Câmara. A articulação dentro da própria sigla tem sido conduzida pela ministra Kátia Abreu (Agricultura) em conversas com o líder peemedebista na Casa, deputado Leonardo Picciani (RJ), segundo integrantes do PMDB. O PMDB possui a maior bancada da Câmara - Casa que analisa pedido de impeachment da presidente. 

Hoje, o partido detém o comando de seis pastas: Agricultura, Minas e Energia, Turismo, Pesca, Portos e Aviação Civil. As duas primeiras, na avaliação de um ministro, não correm o risco de serem destinadas a outras siglas. Já a Secretaria de Portos e o Ministério da Pesca devem se fundir com outros já existentes - Transportes e Agricultura, respectivamente.

A presidente aguardava o retorno do vice-presidente Michel Temer (PMDB) de uma viagem a Moscou para discutir com ele o novo espaço do partido no Ministério. 

A avaliação no Planalto é de que a reforma não pode ser mais um elemento desestabilizador da base, em um momento político sensível com constantes debates sobre impeachment. A presidente tem nova reunião com o grupo hoje e espera definir o corte de dez dos 39 ministérios até amanhã. 

Embora a presidente já tenha sinalizado que Mercadante permanece no governo, Kátia Abreu já foi cotada para a Casa Civil. Uma alteração tida como certa é a ida do ministro Ricardo Berzoini (Comunicações) para a articulação política. A pasta das Comunicações pode se fundir com o Ministério de Ciência e Tecnologia, de acordo fonte próxima às negociações.

O Planalto se apressa para que o anúncio seja feito antes de um possível novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil. A Standard & Poor’s (S&P) tirou o selo de bom pagador do País há duas semanas. As agências Fitch e Moody’s podem reavaliar as notas do País. O Planalto avalia que pode haver uma fuga de capitais caso as duas agências sigam a S&P. / BEATRIZ BULLA, TÂNIA MONTEIRO, JOÃO VILLAVERDE, ANDREZA MATAIS, TALITA FERNANDES e DIDA SAMPAIO

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