Governo nega pressão política para beneficiar colombian Medina

O secretário-executivo do Ministérioda Justiça, Luiz Paulo Barreto, negou na segunda-feira que oPalácio do Planalto tenha realizado pressões políticas paraobrigar o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare) aproteger o colombiano Olivério Medina. Medina --que reconheceu ao governo brasileiro ter sido umaespécie de embaixador e porta-voz das Forças ArmadasRevolucionárias da Colômbia (Farc)-- é acusado pelo governocolombiano de ter participado de ataques feitos pelas Farc em1991. Em 2005, o governo colombiano pediu sua extradição, mas noano seguinte o Conare concedeu a Medina o status de refugiadopolítico, porque considerou que não havia provas doenvolvimento dele nesses ataques. O refúgio, que é renovado acada dois anos, foi mantido em julho. Segundo Barreto, essas foram decisões técnicas baseadas naconvicção de que o Medina poderia ser perseguido se fosseextraditado para a Colômbia. O Conare é integrado peloExecutivo e por representantes da Organização das Nações Unidas(ONU) e da sociedade civil. "Nesse processo, não houve pressão política nenhuma sobre ocomitê. Não houve pressão do presidente Luiz Inácio Lula daSilva, do Gilberto Carvalho (chefe de gabinete do presidente),do ministro Paulo Vannuchi (da Secretaria Especial de DireitosHumanos) ou do ministro Márcio Thomaz Bastos (que chefiava oMinistério da Justiça à época)", afirmou a jornalistas osecretário-executivo do Ministério da Justiça, que tambémpreside o Conare. O assunto voltou à pauta depois que a revista colombianaCambio publicou uma matéria segundo a qual altos funcionáriosdo governo Lula, como Vanucchi e Carvalho, seriam ligados àsFarc, o que é negado pelo governo brasileiro. Nos últimos dias,a imprensa brasileira também divulgou a suposta ligação entreMedina e integrantes do PT e do governo. Barreto sugeriu que o tema voltou a ser noticiado devido aomomento político colombiano, já que o país vizinho começa adiscutir a sucessão do presidente Álvaro Uribe. Para Barreto, omesmo teria ocorrido em 2005, quando o presidente disputava areeleição. O governo deu refúgio a Medina com a condição de que elenão participasse de atividades com a finalidade de prejudicarou atacar o governo colombiano. O Ministério da Justiça mantémum trabalho de inteligência para acompanhar seu comportamento. "Não detectamos ainda nenhuma atividade para desestabilizaro governo de um país amigo e vizinho. Se isso for feito, oConare pode abrir um processo de cassação (do status derefugiado político)", assegurou Barreto. Medina vive no Brasil desde 1997. Tem mulher e filhabrasileiras. Ele requisitou à Polícia Federal a cidadania brasileira. Opedido ainda não foi analisado pela instituição. Depois que aPF se pronunciar, o processo será enviado ao Ministério daJustiça, que dará a palavra final sobre o caso. Segundo Barreto, como Medina, há outros 537 colombianos quereceberam o refúgio político do Brasil. São pessoas ligadas àsFarc, ao Exército da Colômbia, a grupos paramilitares e civis. (Reportagem de Fernando Exman; Edição de AlexandreCaverni)

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